quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A Catedral



"O Padre José de Souza Lima viu longe erguendo um templo com vinte e cinco metros de frente para setenta e cinco de fundo. Como as catedrais do Médio Evo, a matriz de Santo Antônio era para o campanhense princípio e fim. Os seus livros de tombo registram nascimentos, batizados, casamentos, testamentos, óbitos e inventários. Para os mortos, cavava-se no chão da nave. Foi sala de eleições, e palco de autos, manifestação do teatro religioso. A matriz de Santo Antônio, à feição da Idade Média, que assinala o esplendor da fé católica, presidiu, ao longo da monarquia, ao desfile incessante das gerações". Manuel Casasanta - 1929.

Fonte: O Púlpito da Campanha, de Marcos Valério Albinati Silva.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O conformismo do cidadão campanhense.

Fico a observar nas filas de bancos, postos de saúde, correios, rodinhas na praça, etc., como o povo adora reclamar das "injustiças" dos nossos governantes. O que mais chama a atenção é quando alguma lei entra em vigor. Os ouvidos dos vereadores e chefe do executivo devem pegar fogo. Como se reclama. Todo mundo passa a dar pitaco. Mas como diziam os antigos: "depois que a procissão passa, não adianta tirar o chapéu".

Moramos numa cidade pequena. Todos os vereadores são conhecidos e de fácil acesso. Não mordem. Não batem. Não mandam prender. Não é preciso ter medo deles. São gente de carne e osso, como nós. Quando encontrar algum na rua, não custa perguntar o que está sendo discutido e votado na Câmara. Procurar saber o que está acontecendo com a cidade é direito e dever do cidadão. Da mesma forma que é dever do vereador representar a sociedade que o elegeu. O vereador deve fazer valer sua autonomia. O vereador consciente, ao discutir um projeto de lei, sabe o peso e valor de seu voto. Este será determinante na vida dos cidadãos a quem representam. 

Todo cidadão tem o direito de assistir às reuniões da Câmara, bem como as reuniões das Comissões que integram a Casa Legislativa. Mesmo porque se não conhecer a legislação municipal vigente, pode até mesmo sofrer conseqüências por desrespeitar alguma lei. Vemos, como exemplo, bancos sem máquinas de senhas adequadas e fazendo o cliente esperar mais de 15 minutos. Muitos não sabem da existência desta lei municipal. E os que sabem não procuram seus direitos. Outro exemplo é a lei municipal que proíbe motociclistas adentrarem o comércio usando capacete. Numa dessa pode muito bem levar uma multa.

Onde quero chegar? A um projeto de lei que tramita na Câmara. Projeto este que objetiva aumentar a tarifa de iluminação pública. Eu já conversei com alguns vereadores que tenho mais liberdade. E você? 

Nossa conta de luz é absurda e ainda aparece este projeto de lei para ampliar ainda mais a saturada fatura. Alguém já teve a curiosidade de dar uma lida em toda a fatura e não apenas o valor total da sua conta de energia? Pegue uma e dê uma olhada num quadro que fica à direita: "Informações de Faturamento". Para ter uma ideia: minha conta veio no total de R$ 257,60. Na verdade (está lá neste quadrinho), gastei de ENERGIA, R$51,50. O resto é tudo tributo, encargos, etc. O valor da "contribuição" custeio de iluminação pública: R$10,66. Esta arrecadação vai para os cofres do Executivo. Este, conforme a Lei Complementar vigente desde 2002, deve empregar o montante em benefícios e manutenção da rede de iluminação pública do município, além de quitar as contas de luz dos prédios da prefeitura. 

Quem, como sempre vai pagar o pato, no caso a conta, vai ser a classe média e baixa. Evidentemente, conforme um amigo vereador,que em 2002 votou contra o Projeto de Lei que criou a taxa de iluminação pública em Campanha, o comércio e a indústria simplesmente não vão pagar esta taxa. Quem irá pagar, seremos nós. Evidentemente o aumento será repassado para o consumidor final, embutido nos produtos.

Não vou ficar dando uma de mala. Não vou ficar dando murro em ponta de faca. O que posso fazer é alertar ao leitores deste blog, que o projeto ainda está na Câmara. Procure o/os vereador/es de sua confiança e peça a ele/s, que te represente de acordo com sua vontade. Digo isso, porque pode o leitor pensar de forma diversa da minha. Neste caso, faça valer a democracia. 

Só não fique depois reclamando pelos cantos, da "injustiça" dos nossos governantes. É mais digno procurar o seu representante e com ele expor suas idéias, do que ficar a queixar. Tempo para isso ainda existe. E quem cala, consente.

Giovani Rodrigues


sábado, 3 de novembro de 2012

Colégio Sion - Campanha MG

Outro belo vídeo do amigo Toninho Ribeiro sobre nossa cidade. Agora com belíssimas imagens do extinto Colégio Sion. Prédio que hoje pertence à Diocese da Campanha-MG.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Elogio da liberdade

"Venturoso aquele a quem o céu deu um pedaço de pão, sem o obrigar a agradecê-lo a outrem que não seja o mesmo céu". 

Miguel de Cervantes (Dom Quixote/II/LVIII)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Dom Othon Motta será homenageado na 13ª FLIC


Dom Othon Motta
(1960 -1985)
  • Nascimento: Rio de Janeiro /RJ, em 12.05.1913.
  • Ordenação Presbiterial: 12.01.1936
  • Sagração: 24.05.1953 - Bispo Auxiliar em Juiz de Fora.
  • Preconizado Bispo Coadjutor de Dom Inocêncio, com direito à sucessão em 30.05.1959.
  • Posse como Bispo Diocesano na Campanha: 16.06.1960.
  • Por motivo de saúde foi auxiliado por dois Administradores Apostólicos: D. Antônio Afonso de Miranda (de 1976 a 1981) e D. José D’Ângelo Neto (de 1982 a 1984).
  • Falecimento: 04.01.1985.
Algumas realizações: Construção da parte nova do seminário e de seu respectivo caramanchão, reforma da parte interna da Catedral, Herma a Dom Inocêncio no Adro da Catedral, patrocínio da Casa da Criança em terreno da Diocese e da Faculdade de Filosofia e Letras de Varginha, criação de 2 paróquias, realização de diversos tríduos e semanas de estudo para o Clero; abençoou a fundação de duas casas contemplativas da Diocese: O Carmelo de São José em Três Pontas e o Mosteiro Beneditino de Maria; visitas pastorais em todo o Bispado.






Organizada anualmente pela ONG Sebo Cultural, Ponto de Leitura e integrante do Calendário Nacional de Feiras de Livro realiza nos dias 16 a 18 de maio de 2013, a 13ª FLIC será dedicada a Dom Othon Motta e Comendador Nilton Val Ribeiro.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Rede Vida digital em Campanha MG?



Alguém saberia informar o que significa a seguinte Portaria? 


PORTARIA No- 1.888, DE 5 DE SETEMBRO DE 2012 

O SECRETÁRIO DE SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO 
ELETRÔNICA, no uso das atribuições que lhe confere o Anexo IV, 
Art. 71, inciso XXII, da Portaria nº 143, de 9 de março de 2012, e 
observado o disposto no art. 7º do Decreto nº 5.820, de 29 de junho 
de 2006, bem como o que consta no Processo nº 53000.048933/2010, 
resolve:

Art. 1º Consignar à TELEVISÃO INDEPENDENTE DE 
SÃO JOSÉ DO RIO PRETO LTDA., autorizatária do Serviço de 
Retransmissão de Televisão, na localidade de CAMPANHA, estado 
de Minas Gerais, o canal 20 (vinte), correspondente à faixa de frequência 
de 506 a 512 MHz, para transmissão digital do mesmo 
serviço e na mesma localidade, no âmbito do Sistema Brasileiro de 
Televisão Digital Terrestre.

Art. 2º A presente consignação reger-se-á pelas disposições 
do Código Brasileiro de Telecomunicações, leis subsequentes e seus 
regulamentos, bem como pelo Decreto nº 5.820, de 2006. 
Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. 

GENILDO LINS DE ALBUQUERQUE NETO 

Fonte: VCFAZ.NET

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Perdão? Por levar a sério a Doutrina Católica?

Sinceramente não entendi qual a intenção do sujeito que escreveu as orações do Ato Penitencial do folheto Deus Conosco deste domingo.

"Pres.: Cristo, perdoai-nos pelas vezes que ofuscamos vossa luz, fazendo de vossa doutrina apenas leis de imposição. Cristo, tende piedade de nós"

"Leis de imposição"? Mas toda doutrina não é lei? E toda  lei não é imposição? 

Tipicamente teologia da libertação, impregnando a cabecinha dos incautos. 

A Doutrina católica existe e é para ser obedecida pelos católicos. Modernistas infiltrados na Igreja querem a qualquer custo minar os ensinamentos do Sagrado Magistério.

São tantos que caem em heresia e/ou apostatam da fé pelo simples motivo de não conhecerem a Doutrina da Igreja. E ainda somos obrigados a ler num folheto dominical uma "oração" na clara intenção sofismática de levar o pobre incauto a repudiar as leis da Igreja. Documentos estes, que são elaborados pelos Papas e pelo Sagrado Magistério para bem instruir o católico.

Se é "pecado" "ofuscar" a luz de Cristo com "leis de imposição", isto explica o motivo de hoje encontrarmos  "católicos" que também frequentam o espiritismo, a maçonaria, etc. Outros aderem ao socialismo, ao marxismo, ao indiferentismo religioso, ao agnosticismo, enfim a todo e qualquer relativismo. Tudo isso num verdadeiro "sincretismo" religioso.  Tudo dentro do mais perfeito politicamente correto. Tudo pode, afinal a Doutrina da Igreja é uma imposição que ofusca a luz de Cristo...

Repudiar as leis da Igreja  é sinal de protestantismo. Quem protesta, é protestante, e não um verdadeiro católico. 

Muito cuidado deve-se ter ao "entregar-se" às falácias que são introduzidas sutilmente nos folhetos dominicais.  

Giovani Rodrigues

Convite - Padre Victor


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

CARTEIRA DE SENHORA

Texto da portuguesa Leonor Martins de Carvalho, que gentilmente autorizou a publicação neste blog. Interessante como encaixa-se perfeitamente à nossa realidade nacional. Vamos a ele:

DIA 30
Como a carteira foi a banhos à socapa e não me deixou pesquisar o seu conteúdo, fiquei por minha conta.
Nesta minha ermitagem (sei que não existe, mas parece que não chegam, as palavras…), não vejo nem leio notícias, não tenho ideia do que se vai passando fora dos meus horizontes, limitadíssimos, é certo, mas ao mesmo tempo infinitos. Vou então divagar, navegando sem destino, ora em alto mar, ora perto da costa, ao sabor dos ventos. Sei que vão ser rotas muito batidas, mas paciência, os déjà vus também têm direito à vida.
O que nos revolta mais hoje em dia?
Será alguns terem-nos roubado e deixado na penúria sem qualquer espécie de remorso?
Será sentirmos que a justiça nos abandonou?
Será viver num mundo em que já não cabem nem a palavra nem a honra substituídas pela mentira e os seus temíveis guarda-costas, a ganância e a ambição?
Será ver a miséria e abandono em que estão a lançar cada vez mais de nós?
Será saber que nos espremem sem dó nem piedade enquanto tudo continua na mesma e ninguém é responsabilizado?
Será porque nos tentam manipular a consciência apontando-nos como culpados sem perdão?
Será porque acreditámos em palavras que não queríamos acreditar serem ocas?
Será por vermos a soberania a fugir, o património devastado, a língua destruída, como coisa corriqueira de somenos importância ou facto consumado?
Será este sistema fechado em si próprio, uma caricatura a que chamam democracia mas em que sempre os mesmos se servem nenhum servindo Portugal?
Como a vida não é um concurso ou uma eleição podemos bem afirmar que é tudo isto que nos angustia e enoja.
Dizem-nos que os partidos existem para representarem as pessoas. Representam? Ou representam-se a eles mesmos, só rodando as personagens após as saídas para lugares de favor a quem favores prestaram ou para reformas que ninguém compreende?
As palavras, nos programas eleitorais, são vãs. Já sabemos há muito que o prometido antes de eleições só coincide com a praxis em milímetros e quase que por mero acaso. Não são novidade os discursos de políticos dizendo uma coisa e, com o maior dos desplantes, exactamente o seu contrário uns meses depois, voltando em seguida à primitiva quando lhes apraz.
Para chegarmos a este ponto (e não é problema só português), deixámos que toda a vida política (e não só) ficasse na mão dos partidos. Lenta e insidiosamente foram tomando conta de tudo, centralizando cada vez mais, para ter a certeza de que nada escapa ao seu controlo, convencendo-nos de que isso é que é democracia, porque votámos neles para nos governarem para nosso bem.
Um ardil tão grande, tão gigantesco, que vai levar anos a desmontar.
Tratam-nos como se fossemos imbecis, uns pobrezinhos que nada percebem das altas esferas da política, umas crianças órfãs, que precisam de tutores para os guiar pelas adversidades da vida. Neste caso, são eles que criam as adversidades, são tutores como nas histórias infantis a puxar à lágrima, que só querem ficar com o dinheiro do órfão e no fim o deixam na miséria.
Quem está a fazer qualquer coisa pelo país são os portugueses, não os governantes ou as oposições. Estão a sofrer como nunca mas continuam a lutar. A classe política não merece o povo que diz representar.
Há pouca gente verdadeiramente livre para falar. Mas os que o são, ouvimos sofregamente, e têm mais sucesso que qualquer político. Ainda não perceberam, os políticos. E têm medo. Medo de perder o controlo, as mordomias, o poder.
E podemos fazer o quê? Que portas nos deixaram abertas? Só vejo nesgas e buracos de fechadura.
Enchem a boca com o poder da sociedade civil, sabendo à partida que não tem nenhum, e se depender deles, nunca terá. Os meios de comunicação estão normalmente ligados a interesses comuns aos dos partidos.
É o reino do fingimento onde estamos literalmente sem rei nem roque.
Apenas nos temos a nós, um povo espantoso, que mesmo já com idade de descansar, lança as mãos à terra e a mais trabalho para ajudar os filhos.
Aqui, onde estou, ouvindo o silêncio, as folhas cantando o vento, e saboreando um pôr-do-sol português, penso que era fácil ir buscar as soluções à Fonte como vou buscar a água. Límpida, fresca e que sacia a sede.

Leonor Martins de Carvalho

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Candidato a vereador e poluição sonora.

Imagem retirada do blog "O Ferrão do Humor".
Inúmeros candidatos ao Legislativo Municipal, não tem a mínima ideia do que é ser um Vereador. Podemos notar isso pela sua maneira de fazer propaganda. Carros de som passam várias vezes com volume altíssimo em frente à Prefeitura, Câmara Municipal, escolas e igrejas, etc. 

Isto é indicativo de que ou são ignorantes quanto ao que determina a Lei ( RESOLUÇÃO TSE Nº 23.370, DE 14.12.2011 ), ou sabedores da regra, a estão burlando.

Como diria o comentarista global: " a regra é clara". Diz o Parágrafo 1º, do Artigo 9º, da Resolução do TSE:

§ 1º São vedados a instalação e o uso de alto-falantes ou amplificadores de som em distância inferior a 200 metros, respondendo o infrator, conforme o caso, pelo emprego de processo de propaganda vedada e pelo abuso de poder (Lei nº 9.504/97, art. 39, § 3º, I a III, Código Eleitoral, arts. 222 e 237, e Lei Complementar nº 64/90, art. 22): 
I – das sedes dos Poderes Executivo e Legislativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, das sedes dos órgãos judiciais, dos quartéis e de outros estabelecimentos militares; 
II – dos hospitais e casas de saúde; 
III – das escolas, bibliotecas públicas, igrejas e teatros, quando em funcionamento.
Daí podemos deduzir: 

  1. se o candidato é ignorante da Lei que  normatiza a campanha eleitoral, então não merece receber votos. Obviamente não teve capacidade para ler algo de seu inteiro interesse. Sendo assim, como irá, caso eleito, fiscalizar e legislar em favor da população se o seu dever e obrigação é ler e conhecer as leis?
  2. caso conheça a norma e a transgride conscientemente,  o que poderemos esperar de um político de tal naipe,  se eleito?
  3. jogar a culpa no funcionário, também não convence. Antes de enviar o carro/moto para as ruas, tem obrigação de instruí-lo.
No mais, será que o sujeito pensa que com seus jingles reles e irritantes, irá atrair de verdade eleitores?

Giovani Rodrigues

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Igrejas sempre tiveram bancos?

A partir da imagem de uma pintura partilhada no meu Facebook, aprendi coisas interessantíssimas sobre a nossa Igreja com o amigo e professor Carlos Ramalhete. Coisas essas que nunca foram ensinadas na Catequese. 

Trago para o blog a conversa, porque é uma forma de levar a outras pessoas esta deliciosa aula que recebi do Ramalhete. 

Interno della Cattedrale gotica di Anversa, 1612 - Pintura de Paul Vredeman de Vries. 
Carlos Ramalhete: Duas coisas bem interessantes:
A gama dinâmica da pintura, que hoje só se consegue com HDR;

O espaço aberto e "democrático" da igreja clássica, em que não há bancos forçando as pessoas a olhar pra frente, há várias Missas ao mesmo tempo, etc. Daqui a uns cem ou duzentos anos, provavelmente as igrejas terão voltado a ser assim.

Giovani Rodrigues:  Fantástico. Realmente a fotografia em HDR assemelha-se demais à pintura.  Não sabia que as igrejas não tinham bancos. Sabe quando começaram a ser introduzidos?  Sabia que havia várias missas ao mesmo tempo, mas não que era desta forma. Muito legal!

CR: O uso de bancos foi uma inovação protestante, que aos poucos foi se introduzindo na Igreja.

GR:  bom saber disso. Agora só vou assistir à missa de pé. mas são uns folgados mesmo, hem?

CR: É engraçado como essas coisas pseudo-democráticas (no protestantismo, a ausência de ordens, que faria com que cada um fosse, em teoria, um sacerdote - Cf. Jd11) acabam sendo nem um pouco democráticas. Na Igreja, cada um podia focar a sua atenção no que quisesse, com gente indo de Consagração em Consagração, outros ficando do começo ao fim numa mesma Missa, etc. O foco era Deus, e com isso cada um podia focar no que quisesse usar para apontar pra Ele.

A questão não é folga, é a obrigatoriedade de ouvir um mané falando. O "pastor" estava lá, mandando ver na oralidade (oratória & oração...), e todo mundo tinha que ouvir as besteiras que ele falava. *Ele* ficou importante, enquanto o padre é um mero instrumento.

GR: Rapaz, interessantíssimo isso tudo.

CR:  Repare na diferença entre o espaço sagrado e teocêntrico da Igreja, onde ocorre o mesmo Sacrifício em vários altares, e o espaço antropocêntrico criado pelo protestantismo, em que bancos forçam as pessoas a prestar atenção em alguém falando. E este falador, por estar virado para as pessoas, presta atenção nelas, fazendo o "círculo fechado" que o Papa acusa. Na pintura acima você vê que não há círculos: as pessoas estão todas voltadas pra Deus, em vários altares. O espaço todo é espaço cultual.

GR:  Sim! Na imagem as pessoas estão dispersas. os padres celebram sem se importarem de ter ou não "platéia". Mas e as homilias? Sei que existem sermões maravilhosos dos Padres da Igreja. Eram aos domingos, onde mais católicos podiam comparecer?

CR:  Isso; tanto que se você pegar os Sermões de Pe. Antônio Vieira, por exemplo, você vai ver que é um pra cada domingo. E aí - nessas missas mais solenes - a homilia era feita do púlpito que você pode ver, à direita, bem no meio da igreja e acima das cabeças. Assim não se corria o risco de misturar a ação humana (o sermão, para o qual o padre tira o manípulo, marcando que é "outra coisa" que não o serviço do altar) com a ação divina.

GR:  Por que nunca me ensinaram estas coisas na catequese? :(



quarta-feira, 25 de julho de 2012

segunda-feira, 16 de julho de 2012

"Jesus está no chão!"

Vídeo emocionante que está rodando nas redes sociais. Mostra claramente como partículas da Sagrada Comunhão são tratadas com descuido imperdoável. 

Há poucos anos atrás, até a época do Pe. Fuhad, usava-se patenas sob o queixo dos comungantes para evitar que partículas e mesmo a hóstia consagrada caísse no chão. O padre que o substituiu, infelizmente aboliu esta prática, incentivando os católicos a receberem na mão a Eucaristia. Se o comungante tivesse zelo pelo Senhor Eucarístico, não seria tão perigoso, mas podemos notar que a maioria recebe a hóstia sem a devida reverência. Sempre apressados. Inevitavelmente partículas são perdidas.

Quando eu era coroinha adorava segurar a patena durante a distribuição da Eucaristia. O celebrante, com todo respeito e carinho, retirava todas as particulas, jogando-as no cálice com o Sangue do Senhor antes de tomá-lo. Todas as patenas ficavam "polvilhadas" com minúsculas partes do Corpo de Jesus.

Gostaria de sugerir aos nossos caros sacerdotes que voltem a usar deste importante serviço nas missas. Durante a distribuição da Eucaristia, os coroinhas ficam sentadinhos. Seria uma alegria para eles poderem servir ao Senhor de forma tão zelosa. Mesmo que a missa dure uns 10 minutos a mais por conta deste expediente. Mas vale a pena. Penso que ninguém se importaria, afinal não ficamos alguns minutos a mais para cantar parabéns aos aniversariantes? A hóstia consagrada é infinitamente mais importante, não?


Giovani Rodrigues

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Vídeo com imagens da Campanha de ontem e de hoje.

Interessante este vídeo feito pelo amigo Toninho Ribeiro, hoje morando na Irlanda. Se me permite uma crítica: pecou no excesso de preocupação com os efeitos. As fotos passam muito rápido e a maioria em tamanho muito pequeno. Não dá para focar nos detalhes. Mas parabéns pela divulgação da nossa querida e tão "desconhecida" Campanha.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Pai e filho junto à Cruz - foto em HDR - Campanha MG

 
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Comentário do fotógrafo sobre esta foto: "O que eu mais curti nessa (além das nuvens...) é a direção dos olhares do pai e do filho. Em grego, "geronte" (de onde vem "gerontologia": é a pessoa, digamos, de mais idade) quer dizer literalmente "voltado para a Terra". Já o rapaz olha para o horizonte, para o futuro... Fico feliz por ter podido capturar este momento e pela qualidade da companhia que serviu de modelo". (Prof. Carlos Ramalhete)

Obrigado, caro amigo e irmão em Cristo. Nós só ganhamos com sua visita. Além das belíssimas fotos, aprendemos muito nas poucas horas que passamos juntos. Deus foi muito generoso conosco ao nos dar a sua amizade. Um sábio filósofo e teólogo. Um artista de primeira. Transbordando simplicidade.

Rua campanhense em foto HDR - Campanha MG

 
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Veja a foto em alta resolução aqui: Flicker - Prof. Carlos Ramalhete

Museu Regional em foto HDR - Campanha MG

 
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Até a ferrugem tornou-se bela. 
 
Veja a foto em alta resolução aqui: Flicker - Prof. Carlos Ramalhete

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Catedral em fotos HDR

O amigo Prof. Carlos Ramalhete, esteve hoje aqui em Campanha e tirou belas fotos da Catedral em técnica que domina de forma extraordinária.


Outras fotos de altíssimo bom gosto, "pintadas" pelo Carlos Ramalhete podem ser vistas neste endereço:

terça-feira, 5 de junho de 2012

Governos da Campanha

Agentes Executivos 

Até 1930  a Chefia do Executivo Municipal, em Campanha, ficava entregue ao Presidente da Câmara Municipal, então denominado “Agente Executivo Municipal”.

•    Manoel Luiz de Souza – 1884 a 30/03/1884
•    Manoel Inácio Gomes Valladão – 31/03/1884 a 09/08/1892
•    Bernardo Saturnino da Veiga – 10/06/1892 a 30/03/1894
•    Ten. Cel. Manoel de Oliveira Andrade – 31/03/1984 a 08/04/1985
•    Ten. Cel. Ernesto Carneiro de Santiago – 09/04/1895 a 31/05/1897
•    José Braz Cesarino – 01/06/1897 a 07/01/1898
•    João Luiz Alves – 08/01/1898 a 01/11/1900
•    Dr. João Bráulio Moinhos de Vilhena – 02/11/1900 a 11/01/1901
•    João Inácio da Silva Araújo 12/01/1901 a 01/02/1901
•    João de Almeida Lisboa Jr. – 01/02/1901 a 27/04/1901
•    Francisco de Paula Araújo Lobato – 28/04/1901 a 01/06/1902
•    Dr. Francisco Honório Ferreira Brandão Filho – 02/06/1902 a 03/04/1905
•    Ten. Cel. Jerônimo G. Alvarenga Leite – 04/04/1905 a 15/10/1905
•    Manoel Eustáquio Martins de Andrade – 16/10/1905 a 31/12/1907
•    Cel. Zoroastro de Oliveira – 01/01/1908 a 07/10/1927
•    Dr. Jefferson de Oliveira – 08/10/1927 a 07/12/1930

Os prefeitos do município da Campanha

Governo Ditatorial

Em dezembro de 1930, com fundamento no citado Decreto 10.398, o Interventor de Minas Gerais – Olegário Maciel – que teimava em não aceitar essa denominação, mas sim de Presidente, vista sua anterior eleição pelo povo, e ainda ter sido ele um dos baluartes da Revolução, garantindo a entrega do Governo Central a Getúlio Vargas, assinou a nomeação do primeiro prefeito da Campanha:
•    José Messias Dias - 7/12/1930 a 16/06/1932
•    Eng. Antônio Manoel de Oliveira Lisboa – 16/06/1932 a 11/01/1936
•    Dr. José Borges Netto – 12/01/1936 a 15/07/1936
•    Dr. Manoel Alves Valladão – 16/07/1936 a 14/01/1947
•   Governo de Transição – 1945 a 1947, ante essa transição, passam pela Prefeitura de Campanha, nomeados, três prefeitos: Amador Bueno Horta, José Augusto Lemes – 14/04/1947 a 25/04/1947, Dr. Serafim Maria Paiva de Vilhena – 26/04/1947 a 16/12/1947.

Governo Democrático

•    Dr. Zoroastro de Oliveira Filho – 17/12/1947 a 31/01/1951
•    Dr. Manoel Alves Valladão – 01/02/1951 a 31/01/1955
•    Dr. Zoroastro de Oliveira Filho – 01/02/1955 a 31/01/1959
•    Francisco Fonseca Filho – 01/02/1959 a 31/01/1963

Governo da Revolução de 31 de março de 1964

•    Dr. Zoroastro de Oliveira Filho – 01/02/1963 a 31/01/1967

Governo Democrático

•    Dr. Manoel Alves Valladão – 01/02/967 a 31/01/1971
•    Com. Milton Xavier de Carvalho – 01/02/1971 a 31/01/1973
•    Dr. Manoel Alves Valladão – 01/02/1973 a 31/01/1977
•    Andrielle Andriatta – 01/02/1977 a 31/01/1983
•    Ronald Ferreira – 01/02/1983 a 31/12/1988
•    Artur Severiano Rezende – 01/01/1989 a 31/12/1992
•    José Arnaldo Villamarim – 01/01/1993 a 31/12/1996
•    Artur Severiano Rezende – 01/01/1997 a 17/07/1997
•    José Maria Prock – 17/07/1997 a 31/12/2000
•    José Arnaldo Villamarim – 01/01/2001 a 17 de junho de 2004
•    Luiz Geraldo Maia Serrano – 17 de junho de 2004 a 31/12/2004
•    José Maria Prock – 01/01/2005 a 15 de agosto de 2006
•    Paulo César Ferreira Ayres Júnior – 16 de agosto de 2006 a 31/12/2008
•    Lázaro Roberto da Silva – 01/01/2009 aos dias atuais.

Fonte de Pesquisa: Inventário de Proteção do Acervo Cultural (IPAC) de Campanha MG - Ano de 2001. Atualizações: Câmara Municipal de Campanha

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Coroação de Nossa Senhora - Campanha MG

Já sentindo saudades do mês de maio, mês de Maria, publico o video com a musica cantada em todas as coroações de Nossa Senhora.

Dia 31/05/2012 teve início a Trezena de }Santo Antônio. No final da Santa Missa a Virgem foi coroada por seminaristas de nossa diocese.

Seminaristas coroando Nossa Senhora.  (Crédito da foto: Fernanda Bernardes)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Crucifixo

 
"Antes de começares a trabalhar, põe sobre a tua mesa, ou junto dos utensílios do teu trabalho, um crucifixo. De quando em quando, lança-lhe um olhar... Quando chegar a fadiga, hão de fugir-te os olhos para Jesus, e acharás nova força para prosseguires no teu empenho. Porque esse crucifixo é mais que o retrato de uma pessoa querida: os pais, os filhos, a mulher, a noiva... Ele é tudo: teu Pai, teu Irmão, teu Amigo, o teu Deus e o Amor dos teus amores."(São Josemaria Escrivá - Fundador do Opus Dei).

sexta-feira, 18 de maio de 2012

"A Aliança de Deus com os homens".




Foto tirada em Campanha MG, no dia 17 de maio de 2012, pelo amigo  católico, jornalista  André Luiz Ferreira.
"Porei nas nuvens o meu arco; será por sinal da aliança entre mim e a terra." - Gênesis 9,13.
"E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” - Mateus 28:20

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Carta do Professor Carlos Ramalhete a Dom Diamantino, bispo da Diocese da Campanha.

O amigo Professor Carlos Ramalhete, fundador do apostolado A Hora de São Jerônimo, escreveu uma carta a Dom Diamantino Prata de Carvalho, manifestando sua preocupação com o futuro do patrimônio litúrgico, histórico e devocional da Diocese da Campanha MG, perante a Comissão diocesana de Espaço litúrgico e Arte sacra. Infelizmente a carta nunca foi respondida. Preocupa-se o Professor com os rumos que podem tomar a restauração de nossa Catedral tendo em vista uma possível atuação de tal Comissão nos trabalhos.

Com a permissão do autor, trago a público a carta enviada em 2010. Vamos a ela:

________________

 Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor Dom Frei Diamantino Prata de Carvalho, ofm, pela Graça de Deus Bispo da Igreja Particular da Campanha:

Antes de qualquer outra coisa, peço a permissão de Vossa Excelência Reverendíssima para me apresentar. Meu nome é Carlos Ramalhete, e moro há menos de um ano na minha propriedade, chamada Quinta São Tomás, na paróquia de Carmo de Minas. Meu telefone é (35) 91**-**** e meu email é profcarlos@hsjonline.com. Tive a honra de conhecê-lo – ainda que não tenhamos sido apresentados – por ocasião do 1º Encontro diocesano de Arquitetura e Espaço celebrativo, em Três Corações. Sou o barbudinho que estava sentado na primeira fila, cuja careca Vossa Excelência Reverendíssima afagou de um tapinha paternal. Meu filho Francisco Bernardo igualmente teve a
honra de conhecê-lo quando, vestido como São Francisco, participava de atividade promovida pelo Colégio das irmãzinhas, em São Lourenço, onde estuda.

[...]

Venho assim humildemente, na qualidade de ovelha do rebanho que o bom Senhor quis em Sua infinita misericórdia confiar ao firme e santo pastoreio de Vossa Excelência Reverendíssima, entregar pressurosamente minhas impressões e meus receios, decorrentes do que tive ocasião de vivenciar durante o Encontro em que nos conhecemos. A professora, Irmã Laíde Sonda, pddm, é inegavelmente dotada de profunda erudição no tocante à história da liturgia e no que diz respeito à bela arte da arquitetura, além de ser pessoa de sumo bom gosto estético. Suas aulas ofereceram aos que delas participaram um rápido, porém profundo e bem apresentado, panorama do desenvolvimento e do significado de diversos elementos cruciais do espaço da celebração eucarística. Foi para mim de grande valia ter feito o curso, a que fui convidado inesperadamente. Explico: um engenheiro de minha amizade, morador de Itamonte, foi convidado para o curso. Sabedor de meu interesse por teologia e provavelmente em busca de companhia, ainda que enfadonha, pediu autorização a seu pároco, que gentilmente aceitou inscrever-me por aquela paróquia. Mesmo paroquiano do Carmo de Minas, vi-me assim inscrito por Itamonte.

Não podendo perder a chance de mais aprender sobre a nossa santa Fé, aceitei de bom grado a gentileza e expliquei a quem perguntasse ser paroquiano do Carmo, apesar de inscrito por Itamonte. Tendo sido feita minha inscrição às vésperas do evento, não tive sequer oportunidade de consultar o bom Pe. Cruz, meu pároco. Qualquer inconveniência que eu possa ter causado é assim de minha completa responsabilidade, tendo o pároco de Itamonte feito uma gentileza a alguém de cuja devoção ele soube por um amigo e tendo o meu próprio pároco ignorado a situação por completo. Peço humildemente o perdão de Vossa Excelência Reverendíssima se houver agido erradamente.

Apresentada a situação, venho a Vossa Excelência Reverendíssima manifestar minha preocupação com alguns aspectos do que pude presenciar, e pedir humildemente, como filho a quem o pai não negaria o pão, o ouvido e o coração de meu pastor. Afligi-me pelo futuro do patrimônio histórico, litúrgico e devocional da Diocese da Campanha ao perceber que a orientação do curso – e que temo seja, por conseguinte, a da Comissão diocesana de Espaço litúrgico e Arte sacra, formada na mesma escola – foi em muitos aspectos alheia e mesmo contrária à tradição do nosso Rito Latino, vendo com maus olhos o inefável patrimônio devocional e litúrgico de cuja conservação a nossa geração tem agora o encargo e menosprezando as sábias orientações dos Sumos Pontífices, inclusive e especialmente o hoje gloriosamente reinante, Papa Bento XVI.

O que foi preconizado no curso e apresentado como alvo ideal a alcançar não é o que recebemos de nossos antecessores, ou mesmo um desenvolvimento orgânico do que deles recebemos, mas, ao contrário, uma árida construção intelectual que vê como peça de museu o que nos foi dado pela Igreja e procura substituir o rico patrimônio litúrgico e devocional de nosso Rito por uma improvisação feita a partir de estranhas releituras de ritos orientais, efetuadas sob a égide de uma espiritualidade oriunda de comunidades eclesiais que não têm comunhão plena com a Igreja. Reiteradamente, foi apresentada como modelo a seguir a comunidade de Bose, na Itália, em que convivem sacerdotes validamente ordenados e “pastores” protestantes, em que a communicatio in sacris, – que proíbem o Direito Canônico e a boa teologia ¬– é a regra, em que Nosso Senhor Jesus Cristo é dito “enviado de Deus”, não Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. 

Foi literalmente afirmado, para escândalo dos pequenos, que entre o preconizado pelo Sumo Pontífice e o feito em Bose, era preferível seguir a Bose. Passo, com a autorização de Vossa Excelência Reverendíssima e pedindo humildemente a paciência e a atenção de meu pastor, a explicitar os pontos em que, creio eu, seria aconselhável buscar, ainda que como complemento e continuação do lá exposto, uma formação mais conforme à vontade do Vigário de Cristo.

1. Reiteradamente, durante o curso, foi apresentada a liturgia do Primeiro Milênio como suposto modelo. Foi mesmo dito e repetido que a Igreja teria se desviado do reto caminho ao longo do Segundo Milênio, fazendo-se necessário voltar às origens. Ora, não apenas foi já o arqueologismo condenado pela Santa Sé, como racionalmente não é ele, nesta instância, mais que uma desculpa para a invenção de uma visão litúrgica desconectada do desenvolvido pelo Espírito Santo ao longo destes dois mil anos de caminhada da Igreja. Ao longo do Primeiro Milênio, desenvolveu-se tanto no Oriente quanto no Ocidente uma mais perfeita compreensão da diferença essencial entre o sacerdócio ordenado e o sacerdócio comum dos fiéis, assim como da profundidade e da riqueza do Mistério eucarístico. Nos ritos orientais, de que supostamente teria origem a visão litúrgica pregada durante o encontro – o que já seria de estranhar, tendo em vista ser nosso Rito o latino – houve e há ainda uma separação muito maior entre o espaço da liturgia eucarística e o da assembléia dos fiéis. Enquanto na Igreja latina desenvolveram-se organicamente o presbitério, a mesa de comunhão, a colocação do coro e outros elementos de separação do espaço mais sagrado, em saudável hierarquia que conduz à oração e à percepção do sagrado e do misterioso, nos Ritos orientais foi mantida a iconostase a impedir completamente a visão do altar dos Mistérios. Ora, esta separação e esta hierarquia foram o objeto da mais retumbante condenação no Encontro.

2. Do mesmo modo, nos Ritos orientais os ícones bidimensionais – e aí incluo os presentes na própria iconostase – são objeto direto de devoção dos fiéis. Na visão fabricada em laboratório que foi apresentada no Encontro, propõe-se uma ausência de quaisquer auxílios devocionais – tais como imagens de santos – do espaço litúrgico, em negação expressa do desejo dos Padres conciliares, que nos instruíram na Constituição Sacrosanctum Concilium que “[f]irme permaneça o costume de propor nas igrejas as sagradas imagens à veneração dos fiéis”. O objetivo seria a busca de uma suposta pureza eucarística que a Igreja teria perdido ao longo do Segundo milênio. As imagens de santos, foi-nos dito, podem estar presentes na forma nada devocional de pinturas de vaga inspiração estética oriental: decorativas e quiçá instrutivas, mas certamente não devocionais. Ora, tal visão afasta-se e nega tudo o que foi desenvolvido organicamente na Igreja não só no Segundo milênio, mas mesmo no primeiro, antes do Grande cisma do Oriente. Ícones bidimensionais são para os Orientais objeto de veneração devocional, não meramente itens instrutivos e/ou decorativos. Foi ainda no Século IX que Metódio I, Patriarca da Constantinopla ainda unida a Roma, escreveu “vendo a Vossa imagem imaculada, ó Cristo, e a Vossa Cruz traçada em relevo, eu me prostro e venero a Vossa verdadeira Carne”. Já tivemos iconoclastas na Igreja, justamente neste Primeiro milênio cuja ortodoxia litúrgica seria a suposta inspiração da teoria inspiradora da visão apresentada no Encontro. Foram estes, como Vossa Excelência Reverendíssima sabe muitíssimo melhor que eu, condenados em Nicéia por inspiração do Santo Espírito. Mas eis que voltam, e este novo iconoclasmo, por tardio, é ainda mais perigoso que o primeiro. Enquanto no primeiro a inspiração islâmica negava abertamente a ortodoxia da própria existência de ícones, quer o novo que eles sejam alijados do Templo, que não estejam presentes no Sacrifício.

Fazendo dos ícones bidimensionais – santos objetos de devoção dos nossos irmãos Orientais – itens de decoração ou meros símbolos não devocionais e retirando da igreja as imagens esculpidas, substituindo destarte a representação física e palpável da materialidade dos Santos por pinturas alheias à riquíssima tradição devocional e litúrgica do Ocidente, os novos iconoclastas efetuam ainda mais perigosa substituição: não mais quebram os ícones, sim os castram. As belíssimas estátuas de santos de nossa tradição ocidental são exiladas da Sala do Trono, sendo na melhor das hipóteses toleradas em capelinhas secundárias, em aberta contradição ao propugnado pelo Santo Padre Paulo VI, que ordenou na sua Carta apostólica Opera Artis que “as obras de arte do passado devem ser preservadas sempre e em toda parte, para que possam prestar seu nobre serviço ao culto divino e seu auxílio à participação ativa do povo na liturgia”.

Querem, contudo, os novos iconoclastas que as imagens daqueles que a Igreja elevou à honra do altar não possam jamais estar perto do altar mesmo; em seu lugar restam apenas esculturas quase abstratas, nas quais é impossível perceber a materialidade do santo de carne e osso que supostamente as inspira, ou imagens bidimensionais estilizadas ao exagero, com vaga inspiração nos ícones orientais, sendo-lhes contudo retirada a majestade e tudo o mais que possa inspirar à devoção. O leão torna-se poodle, a águia periquito engaiolado. Isto não vem da religião católica, sim dos ressaibos iconoclastas das comunidades eclesiais protestantes das quais são oriundos os inspiradores da triste visão de liturgia que nos foi apresentada no Encontro. O que seus antecessores não conseguiram fazer no Século XVI vem ser pregado dentro da Igreja no Terceiro milênio. Dentro, meu bom pastor a cujos pés me arrojo repleto de confiança, da Diocese cujo pastoreio o Bom Senhor houve por bem lhe confiar!

Desnudados de todo elemento devocional, estes espaços litúrgicos já perdem enorme parcela de seu ethos católico. Não está, contudo, concluído o trabalho de demolição; a própria orientação espacial do templo cristão, em que os membros da Igreja Militante, unidos, voltam-se para o Oriente, de onde vem a Luz, foi no Encontro tratada de errônea.

3. “Mover a Cruz do altar pra o lado para permitir uma visão direta do sacerdote é algo que percebo como um dos fenômenos mais absurdos das décadas recentes”, escreveu o Santo Padre Bento XVI. Pois foi isto o preconizado no Encontro. Mais ainda: a própria Cruz que deve estar presente junto do altar foi tratada como um estorvo legalista, algo indesejável mas que se deve tolerar por ser determinado em lei. Bom seria, para a visão lá pregada, que o altar fosse reduzido a um bloco de pedra nua, sem cruz, sem velas, sem nenhum dos riquíssimos elementos litúrgicos que o Santo Espírito houve por bem suscitar no desenvolvimento orgânico da liturgia. 

Foi dito em tom de desprezo que “alguns querem botar uma cruz aqui, encher de velas...”; observei então que quem o diz é o Santo Padre. Foi-me respondido que os luteranos, anglicanos e outros liturgistas presentes em Bose foram unânimes no contrário, e que eles tinham razão. Peço perdão, meu bom pastor, por ser o portador de tais notícias; não posso crer que Vossa Excelência Reverendíssima tenha sabido que seria pregada a superioridade de “liturgistas” que não crêem na Real Presença sobre o Sucessor de Pedro!
Ao redor deste altar-bloco, “olhando nos olhos uns dos outros” (sic), estariam os fiéis. Nas próprias celebrações eucarísticas ocorridas no Encontro – em que, aliás, foram empregados vasos litúrgicos de aparência bruta em cerâmica vitrificada, de forma contrária às expressas determinações da Igreja – foi assim montado um espaço litúrgico às avessas, testemunhando uma visão litúrgica tão díspar do desenvolvido na Igreja ao longo dos séculos e do preconizado pelo Santo Padre que nos foi dito que “a regra diz que a Cadeira, o Altar e o Ambão têm que ficar no presbitério; então é só chamar isso de presbitério, e pronto”. “Isso” é o espaço central, em que foram enfileirados o ambão – voltado para o altar como se não viesse do
altar o próprio sentido do ambão –, o próprio altar – que por força das circunstância era uma mesa de madeira – e as cadeiras dos sacerdotes concelebrantes, acólitos e leitores extraordinários. Em três fileiras, formando um par de parênteses ao comprido em torno destes três dos muitos elementos de que quis o Espírito Santo dotar em desenvolvimento orgânico o espaço litúrgico do nosso Rito, estavam as cadeiras escolares em que os fiéis nos sentamos.

Não trato neste texto do mobiliário e do local propriamente ditos, que forçosamente deixariam a desejar por terem sido celebradas as Missas no mesmo salão que Vossa Excelência Reverendíssima visitou; o grande número de pessoas presentes impediria o uso da capela do antigo Seminário, e por força das circunstâncias foi realmente necessário muito improvisar. Trato, contudo, do modelo de distribuição espacial
do que fez as vezes de mobiliário sacro, propositadamente reduzido a um suposto mínimo indispensável. As fotografias exibidas como exemplo de boa arquitetura sacra e de espaços condizentemente dispostos apresentavam o mesmo pauperismo proposital de elementos, com blocos de pedra nua fazendo as vezes de cadeira, altar e ambão, e todo o mais tendo sido retirado do ambiente.

Esta aridez do espaço do Santo Sacrifício nega radicalmente as espiritualidades e a tradição tanto do Ocidente quanto do Oriente. O entorno do altar, na tradição oriental, comporta obrigatoriamente dezenas de elementos de forte valor simbólico. Na nossa tradição ocidental, o espaço do Sacrifício, menos separado que o dos orientais pela ausência da iconostase e um pouco menos rico de objetos, ainda assim é carregado de elementos cujo profundo significado não poderia jamais ser desprezado, que dirá negado. Temos os degraus, que ascendem como para o Céu e delimitam um espaço à parte, que sabemos ser conducente à percepção do sagrado pela prática e pelos magistrais estudos de Mircéa Eliade, Frazer e outros; temos a orientação de toda a igreja que se volta para o Oriente, como parte da Igreja que caminha neste mundo ao encontro do Salvador que de lá nos vem como o sol da manhã; temos o sacrário, de que disse o Santo Padre que “uma igreja em que a luz eterna brilha diante do sacrário está sempre viva”; temos o Crucifixo a orientar os olhos dos fiéis e do sacerdote, unidos na celebração dos Mistérios; temos cores, objetos, cheiros, vestes, tudo dotado de camadas de significação tão profundas que se esgotaria a vida de um erudito a descrevê-las, sem jamais chegar o fim do trabalho. 

É a obra de Deus na liturgia de Sua Igreja, guiando, fazendo crescer, elevando o humilde e rebaixando o avarento. Mas não. Não é o espaço sagrado que Deus fez crescer como árvore frondosa, dotado de milhares de pequenos símbolos e sinais, que nos foi proposto no curso. Foi, sim, ao contrário, uma construção humana, uma tentativa de afirmação de um arrogante racionalismo que se julga capaz de fazer em uma prancheta, com três blocos de pedra, algo melhor que aquilo que o Espírito desenvolveu ao longo de dois mil anos. A este propósito, a sabedoria popular – vox populi, vox Dei – fez-nos ver, em curioso incidente, o quanto se afasta o que nos foi proposto do sensus fidei do fiel comum. Fomos visitar uma igreja, em que o arquiteto procurou fazer um meio termo entre a aridez absoluta proposta no curso e o que nos foi dado pela tradição. Erigiu ele um presbitério elevado, com uma imagem da Virgem, o sacrário, o altar, uma credência, um ambão e três cadeiras, sendo o fundo composto por um gigantesco biombo. Tudo foi feito da mesma madeira lisa, como um cômodo planejado que a loja vende em conjunto. 

Quando lá chegamos, vimos todos que os fiéis haviam colocado, à revelia do arquiteto e de seu projeto, uma samambaia de cada lado do biombo, tendo anjos de gesso colorido com lâmpadas a fazer-lhes companhia. Evidentemente, aquele pequeno toque de vida, em vã tentativa de esquentar e humanizar o glacial espaço uniforme, mais assemelhado a um quarto de hotel que a um presbitério, foi condenado por fugir à completa aridez que ao longo do curso nos foi apresentada como desejável.
No mesmo dia, sendo projetadas fotografias de igrejas ditas modelares, o mesmo fenômeno foi observado e lamentado: aqui uma samambaia, lá flores, acolá ramagens. Comentei então com um colega que quando se faz um projeto e todos os usuários fazem-lhe a mesma modificação, faz-se mister considerar se não houve um erro nele. E houve, meu bom pastor, e houve. O que o sensus fidei dos fiéis mostrou, nas fotografias e na prática, é que é abominável à fé católica, é contrária à tradição e à espiritualidade católica esta tentativa de construção do paradoxo supremo: um altar calvinista, um nu, cru e vazio bloco de pedra fria sem adorno, em uma igreja sem imagens, com janelas sem vitrais – que em uma igreja em reforma que visitamos, aliás, eram exatamente iguais às portas de vidro temperado que encontramos em quase todas as agências bancárias! Não se pode lembrar da Virgem, mas se pode lembrar do Bradesco...

Foi mesmo dita coisa cruel, que muito me assombrou; foi-nos dito que seria uma afronta aos pobres ter uma Igreja decorada, visto viverem eles na simplicidade. Ora, palavras semelhantes já disse o Iscariotes, lamentando o perfume que ungia o Senhor. Mais ainda, na nossa boa e católica cultura brasileira, o valor imenso que é dado pelos mais pobres a decoração dificilmente encontraria igual. “Pobre gosta de luxo; quem gosta de miséria é intelectual”, já dizia Joãozinho Trinta. E é verdade. No Brasil, aqueles que levantam a própria casa tijolo por tijolo, levando anos ou décadas para passar da fundação ao acabamento, são os primeiros a comprar azulejos azul-turquesa com listras douradas assim que lhes sobre um dinheirinho para o adorno, mais prioritário que o transporte próprio ou mesmo que a educação dos filhos! É a busca do pulcro, firmemente marcada na alma brasileira. Disto terá sem dúvida tido exemplo muitíssimas vezes Vossa Excelência Reverendíssima, que em visitas pastorais terá sido recebido com “o prato bonito” que a dona de casa simples comprou com carinho para ocasiões especiais, terá visto o esmero e o capricho com que aqueles que por vezes mal têm o que comer plantam flores na porta do barraco, terá visto a pequena lâmpada incandescente que acrescenta suados reais à conta de luz, mas não deixa de brilhar junto à imagem do Crucificado.

Meu pai, meu bom pastor, meu Bispo, é literalmente com lágrimas nos olhos que escrevo estas linhas. Meu pai, meu bom pastor, meu Bispo, Sucessor dos Apóstolos, que horror, que devastação, que atentado calunioso à alma do povo brasileiro é afirmar que não lhe seria agradável adornar com carinho a Casa do Pai!

4. De volta ao tema, quanto à organização do espaço, pergunto: donde pode vir a triste idéia de enfileirar ambão, altar e cadeira, eliminando todo o resto e colocando os fiéis como um par de parênteses a retirar da coerência e do contexto vital a união de céus e terra que ocorre realmente no Santo Sacrifício do altar?! De onde mais, que da lastimável recusa da Comunhão dos Santos que vemos nas comunidades eclesiais protestantes, fechadas em torno delas mesmas, sozinhas, isoladas por uma eclesiologia falha em uma experiência em que a comunhão não significa mais que a mera companhia física de outros seres humanos?

A Igreja que caminha ao encontro do Senhor tem consigo – ao seu lado, atrás, à frente – toda a Comunhão dos Santos. Como disse Chesterton, “a Igreja é uma democracia em que os mortos têm voto”. Mortos de corpo e vivos de alma, padecendo no Purgatório ou triunfantes no Céu, auxiliados por nossas orações e auxiliando-nos com as suas. Não faz sentido algum deixarmos de lado a caminhada ao encontro do Cristo para darmos as costas para tudo o que não é a presença física dos outros. Não faz sentido algum que, ao invés de elevarmos os olhos ao altar, tenhamos que abaixá-los para o altar... ou estaremos observando o penteado e o modelo de óculos de quem a Providência quis colocar à nossa frente, no outro parêntese que cerca o altar como a não deixar que ele se comunique com o exterior. Não podemos olhar para uma imagem da Virgem Puríssima, é-nos proibido contemplar devotamente a imagem do santo padroeiro daquela igreja, mas é de buscar que vejamos o penteado de Dona Cacilda, o bigode de Seu Fagundes, que (como foi dito no Encontro ser desejável) “olhemos nos olhos um do outro”? Que outro sentido isto poderia ter, senão a negação mais pertinaz da Comunhão dos Santos e sua substituição por uma teologia protestante em que faz as vezes de comunhão a presença física?!

Lamentou o Sumo Pontífice que, mesmo em meios católicos, devido a uma falsa compreensão do sentido da orientação da oração litúrgica, por vezes “a comunidade tornou-se um círculo fechado em si mesmo”, deixando de colocar-se como “uma procissão rumo ao Senhor”. Esta falsa compreensão tem sua origem na negação do Sacrifício feita no protestantismo, e sua expressão mais extremada na colocação da assembléia que nos foi proposta no curso como a mais desejável. Ao cercar o altar com os fiéis, retirando-se dele a Cruz e tratando-o como mesa apenas, perde-se a crucial dimensão sacrifical da Eucaristia. Ora, a Eucaristia é sim refeição, mas por ser Sacrifício; não houvesse Sacrifício, não haveria Vítima imolada a consumir. É uma refeição sacrifical, não uma ação de graças por termos pãezinhos e vinho.

Negar aos fiéis a orientação comum em direção ao Senhor é negar subliminarmente que há Algo além, é negar-lhes a consciência do Outro, é fazer com que se fechem em um círculo em torno de suas crassas necessidades materiais, sem movimento possível além daquele ponto. Em uma igreja construída da forma que o Espírito Santo desenvolveu na Igreja ao longo destes dois milênios, os fiéis estamos em procissão para o Oriente, estamos caminhando como Igreja rumo a nosso Salvador. Em um círculo fechado, não há caminhada possível, não há a presença do Outro, não há nada que signifique o Sacrifício real. Há uma mesa,
prato, copo, pão, vinho. É quase uma mesa de bar. Quando fecha o bar, empurramos as cadeiras para trás e viramos as costas para a mesa: é o único movimento possível.

5. Foi-nos dada durante o curso uma revista sobre liturgia, que ofereceu um curioso e à primeira vista incompreensível contraste com o que era nele pregado. Enquanto nos era vendido o peixe de um árido deserto com três pedrinhas nuas fazendo as vezes de ambão, altar e cadeira, cercadas por um par de parênteses de pessoas olhando nos olhos umas das outras enquanto o Senhor se queda sozinho, a revista trazia artigos sobre “celebrações” em que todo tipo de traquitana era levado ao altar, em que eram festejadas “divindades” indígenas, estados de espírito, metas políticas, que sei lá eu. 

O contraste, contudo, era ilusório. Não há incoerência entre a feira livre pregada na revista e o cimento vazio pregado no Encontro, porquanto é sobre o cimento que se monta a feira. Ao esvaziar o espaço litúrgico de tudo o que dele faz um espaço definida e irredutivelmente Católico – um espaço sagrado e voltado para o Outro, o Mistério, o Verbo Encarnado, simultaneamente dentro e fora do tempo ¬– abre-se a possibilidade de substituir o que é católico por qualquer coisa, de se tentar preencher com traquitanas e preocupações comezinhas a busca do homem pelo Infinito, a busca do cristão por santificação. 

Alguns poucos, porém, uma elite arrogante que despreza conceitos “ultrapassados” como a Verdade, reúnem-se em torno das três pedrinhas, em Bose ou em um círculo infernal. Não lhes interessa se o Cristo é o Filho de Deus, não lhes interessa se Ele está presente como símbolo ou realmente no Santíssimo Sacramento do altar. Interessa, sim, que eles todos “dão testemunho” de uma comunhão na verdade inexistente entre anglicanos, luteranos e “católicos” unidos pelo indiferentismo e pela arrogância de definirem eles mesmos o que é liturgia, jogando no lixo dois mil anos de obra do Espírito e “construindo” na prancheta um espaço supostamente ideal em que a Sã Doutrina é simplesmente irrelevante.

São os Puros da Gnose, do Catarismo, de todos os movimentos que sempre buscaram solapar esta magnífica nota da verdadeira Igreja: a sua catolicidade, a inclusão de todos no mesmo espaço, no mesmíssimo culto perfeito por sobrenatural, caminhando rumo ao Cristo que vem. Enquanto isso, a plebe ignara faz das três pedrinhas estante para apoiar suas mesquinharias, tela para projetar seus desejos, espelho para celebrar a barriga cheia ou chorar a barriga vazia. De um lado os puros, escolhidos (por quem?), que sabem, e assim se contentam com a liturgia zen em um espaço zen. Do outro, os mal-lavados, em bando, dançando e ululando, celebrando sua própria selvageria sob o olhar complacente dos Escolhidos. 

É uma tentação clássica, que sempre assombrou a Igreja e que esta sempre soube combater, pelas mãos, pela boca e pela pena de Bispos santos e fortes como este a quem a Deus aprouve confiar a Diocese da Campanha. Desta feita, ela nos vem da Europa que, de terra da Fé, tornou-se quase território de missão. Da Europa que está a envelhecer, sem que seus habitantes se animem a gerar filhos. Da Europa em que as igrejas estão vazias e em que não há vocações. Da Europa em que os homens de menos de quarenta anos de idade foram educados a sempre sentar no vaso sanitário... Naquelas terras cuja alma hoje está gélida, naquelas terras em que o contato humano se faz raro, operou-se o anti-milagre da substituição da esperança militante da Visão Beatífica pelo “olhar no olho” de quem está na mesma celebração. É só assim, forçados pela posição física e pela localização espacial, que eles se olham. Eles não têm o calor humano, o contato, o tapinha carinhoso e paternal do Bispo na careca do fiel.

São estes homens frios que querem nos arrancar o calor das igrejas e fazê-las espaços vazios à sua moda, para servirem de espaço à celebração-de-si nua e árida que fazem os “puros” ou à celebração-de-si suada, ruidosa e cheia de traquitanas dos selvagens que os “puros” olham complacentemente, confiantes na inexistência da Verdade, do Outro, do próprio Amor que ignoram. Venho, assim, como portador das más notícias, como o mensageiro que entra a avisar da infiltração do Inimigo, como o filho apavorado a gritar “meu pai, socorro, uma cobra!” Arrojado aos pés de Vossa Excelência Reverendíssima eu me coloco como filho, implorando-lhe que não permita que a isto se resuma a formação dos fiéis que Deus confiou ao seu sábio pastoreio. Mais ainda temo por ter podido perceber ser real o temor de que seja esta visão, tão contrária à Fé que Deus nos deu, ao patrimônio litúrgico da Igreja Particular da Campanha e à própria mentalidade do povo brasileiro e especialmente mineiro, impregnada de tradição católica, de amor ao pulcro, de busca do sublime, que oriente os Reverendíssimos Padres encarregados da Comissão diocesana de Espaço litúrgico e Arte sacra, fazendo com que vejam esta como antitética àquele.

Temo sinceramente que esta nova iconoclastia venha arrasar igrejas, não mais quebrando as imagens, mas relegando-as a saletas nos fundos ou ao museu. Temo como filho e temo como fiel que a ironia suprema de um altar calvinista tome o lugar do riquíssimo “espaço celebrativo” que desenvolveu o Santo Espírito na Igreja, fazendo das igrejas e capelas áridos desertos em que o culto a Deus se torna difícil e a devoção aos Santos quase impossível.

Temo, Excelência Reverendíssima, que elementos alheios à Fé venham progressivamente infiltrar-se no meio dos fiéis, ocupando com engodos e promessas vãs o espaço vazio deixado pela devastação do espaço litúrgico e sua substituição por algo a meio caminho entre um templo japonês e um panorama lunar.

Peço, senhor meu pai, sua carinhosa intervenção.

No Carmo de Minas,
Na festa de Finados,
Pedindo sempre as orações de Vossa Excelência Reverendíssima,
Seu filho e criado,

Carlos Ramalhete,
Pecador.