terça-feira, 30 de agosto de 2016

O grande frasista Chesterton

Reproduzo aqui estas deliciosas máximas de G. K. Chesterton traduzidas pelo Prof. Angueth e disponibilizadas no seu blog. Para que o pensamento do gigante ingles, possa alcançar o maior numero de pessoas. É uma pena, tão grande homem ser conhecido por tão poucas pessoas. Espero que os campanhenses, herdeiros da Athenas sulmineira, possam fazer bom proveito destas linhas.


Verdades Eternas

Os sovinas acordam cedo; os ladrões, pelo que sei, acordam na noite anterior.

Defender quaisquer das virtudes cardeais tem, hoje em dia, toda a excitação de um vício.

Uma coisa morta pode seguir a correnteza, mas somente uma coisa viva pode contrariá-la.

As falácias não se tornam menos falácias porque se tornaram modas.

Imparcialidade é um nome pomposo para indiferença, que é um nome elegante para ignorância.

Uma inconveniência é apenas uma aventura erroneamente considerada; uma aventura é uma inconveniência corretamente considerada.

O que amargura o mundo não é excesso de crítica, mas a ausência de autocrítica.

Um homem são é aquele que tem a tragédia em seu coração e a comédia em sua cabeça.

Entre os ricos você nunca encontrará um homem verdadeiramente generoso, nem por acaso. Eles podem doar seu dinheiro, mas nunca se doam; eles são egoístas, enigmáticos, secos como ossos velhos. Para ser inteligente o suficiente para conseguir todo aquele dinheiro, você deve ser estúpido o suficiente para desejá-lo.

Força moderada é usada na violência, força suprema é usada na levitação.

A simplificação de qualquer coisa é sempre sensacional.

Protestos sempre voltam como um eco dos confins do mundo; mas o silêncio nos revigora.

Costumes são, geralmente, generosos. Hábitos, são quase sempre, egoístas.

Acredito que o que realmente acontece na história é o seguinte: o homem idoso está sempre errado; e os jovens estão sempre errados sobre o que está errado. A forma prática que isso toma é a seguinte: enquanto o homem idoso se apega a algum costume estúpido, o homem jovem sempre o ataca, com alguma teoria que se mostra igualmente estúpida.

O centro de toda a existência do homem é um sonho. Morte, doença, insanidade, são, meramente, acidentes materiais, como uma dor de dente ou uma torção no tornozelo. Que essas forças brutais sempre sitiam e, freqüentemente, capturam a cidadela, não prova que elas são a cidadela.

O otimista é uma pessoa em permanente rebelião que, geralmente, vive e morre num esforço desesperado e suicida para persuadir as pessoas do quando elas são boas.

Ter o direito de fazer uma coisa não é, em absoluto, estar certo em fazê-la.

Todos os exageros estão certos, se eles exageram as coisas certas.

A comédia do homem sobrevive à sua tragédia.

Ultimamente não temos tido boas óperas cômicas, pois, o mundo real tem sido mais cômico que qualquer ópera imaginável.

Quando homens instruídos começam a usar a razão, então, geralmente, descubro que eles não a têm.

O homem livre é dono de si próprio. Ele pode se prejudicar comendo ou bebendo; ele pode se arruinar com o jogo. Se ele assim se comporta, ele é um grande idiota, e pode ser uma alma condenada; se não for esse o caso, ele é tão livre quanto um cachorro.

O esteta nunca faz nada além do que lhe é mandado fazer.

O esteta aspira à harmonia, não à beleza. Se seu cabelo não combina com o purpúreo por do sol, contra o qual ele se posta, ele rapidamente tinge seu cabelo com uma sombra de púrpura. Se sua esposa não combina com o papel de parede, ele se divorcia.

O reformador está sempre certo sobre o que está errado. Ele, geralmente, está errado sobre o que está certo.

A razão é sempre uma espécie de força bruta; aqueles que apelam mais para a cabeça do que para o coração, mesmo que pálido e educado, são, necessariamente, homens violentos. Falamos de ‘tocar’ o coração do homem, mas não podemos fazer nada com a sua cabeça, exceto golpeá-la.

O homem é sempre algo pior e algo melhor que um animal; e meros argumentos sobre a perfeição animal nunca o tocam. Assim, no sexo nenhum animal é cortes ou obsceno. E assim, nenhum animal inventou algo tão ruim quanto a embriaguez – ou tão boa quanto a bebida.

Quando entramos numa família, pelo ato de nascermos, entramos realmente num mundo que é incalculável, num mundo que tem suas próprias e estranhas leis, num mundo que poderia passar sem nós, num mundo que não criamos. Em outras palavras, quando entramos numa família, entramos num conto de fadas.

Uma coisa pode ser muito triste para ser crível ou muito má para ser crível ou muito boa para ser crível; mas ela não pode ser tão absurda para ser crível, neste planeta de sapos e elefantes, de crocodilos e peixes-espada.



Conselhos gratuitos

Não se deleite consigo mesmo. Deleite-se com a dança, com peças teatrais, com passeios de automóveis, com champagne e com ostras; deleite-se com jazz, com cocktails e com boates, se você não se diverte com nada melhor; deleite-se com a bigamia, com o roubo ou com outro crime qualquer; mas nunca se deleite consigo próprio.

Não olhe para os rostos nos jornais e revistas ilustrados. Olhe para os rostos na rua.

Quando for fazer um agrado a um amigo ou a uma criança, dê-lhes o que eles gostam, nunca o que seja bom para eles.

Concordo com o realista irlandês que diz que prefere a profecia depois do acontecido.


O culto ao progresso

O progresso é um comparativo para o qual ainda não temos o superlativo.

O progresso deve significar que estamos sempre mudando o mundo para adequá-lo à nossa visão, ao invés de sempre mudarmos a nossa visão.

Minha atitude perante o progresso passou do antagonismo ao tédio. Parei, há muito tempo, de discutir com as pessoas que preferem quinta-feira à quarta-feira porque é quinta-feira.

Os homens inventam novos ideais porque não ousam tentar os velhos ideais. Eles olham à frente com entusiasmo, porque eles temem olhar para trás.

Tradição significa votar na mais obscura das classes, nossos ancestrais. É a democracia dos mortos. A tradição recusa a se submeter àquela arrogante oligarquia que, por acaso, se encontra por perto.

O mundo moderno é um punhado de carros de corrida, todos obrigados a uma parada, presos num engarrafamento de trânsito.

Confortos raros aos nossos ancestrais são, agora, multiplicados nas fábricas e vendidos indiscriminadamente; e realmente, ninguém atualmente, que não se importe em passar sem ar, espaço, quietude, decência e boas maneiras, precisa se privar de nada que se queira; ou, pelo menos, de uma imitação barata do que se queira.

Uma história de detetive, geralmente, descreve seis homens discutindo sobre como aquele homem morreu. Uma história filosófica moderna, geralmente, descreve seis homens mortos discutindo como algum homem pode estar vivo.

Nenhuma das máquinas modernas, nenhuma das parafernálias modernas ... têm algum poder sobre alguém, exceto sobre aqueles que optaram por usá-las.

Toda a maldição do último século foi o que se pode chamar de a Oscilação do Pêndulo; isto é, a idéia de que o Homem deve ir, alternativamente, de um extremo ao outro. Isso é vergonhoso e chocante; é a negação de toda a dignidade da espécie humana. Quando o Homem está vivo ele permanece parado. É somente quando morre que ele oscila.

Este é o tempo no qual minorias ínfimas e teóricas podem conquistar maiorias inconscientes e não-teóricas.



Guerra e Política

[O marxismo], numa geração, irá para o limbo da maioria das heresias, mas enquanto isso, ele envenenará a Revolução Russa.

A guerra não é o melhor caminho para resolver as diferenças; é o único caminho para evitar que as diferenças sejam resolvidas em seu nome.

Há um corolário da concepção ‘ser muito orgulhoso para lutar’. Os humildes têm de empreender a maior parte da luta.

A única guerra defensável é a guerra de defesa.

O verdadeiro soldado luta não porque ele odeia o que está a sua frente, mas porque ele ama o que está atrás.

Como as revoluções envelhecem, e pior, se tornam respeitáveis!



Governo e Política

Uma vez que se abole Deus, o governo se torna Deus.

A América é o único país jamais fundando sobre um credo.

A Declaração de Independência baseia, dogmaticamente, todos os direitos no fato de que Deus criou todos os homens iguais; e está certa; pois, se eles não fossem criados iguais, eles, certamente, teriam evoluído desigualmente. Não há fundamento para a democracia, exceto no dogma da origem divina do homem.

A democracia inconsciente na América é uma coisa muito boa. É uma suposição verdadeira, profunda e instintiva na igualdade dos cidadãos que, mesmo o voto e as eleições, não destruíram.

Quando você desobedece as grandes leis, você não alcança a liberdade; você não promove nem mesmo a anarquia. Você promove as pequenas leis.

Se você tentar, atualmente, uma discussão real com um jornal de posição política oposta à sua, você não terá nenhuma resposta, exceto jargão ou silêncio.

É um crítico superficial aquele que não enxerga um eterno rebelde no coração de um conservador.

Você nunca terá uma revolução para estabelecer uma democracia. Você deve ter uma democracia para ter uma revolução.

Quando um político está na oposição ele é um expert nos meios para determinados fins; quando é situação, ele é um expert nos obstáculos.

Formei uma clara concepção de patriotismo. Geralmente, o tenho encontrado alçado ao primeiro plano por algum sujeito que tem algo a esconder no segundo plano. Tenho visto uma grande quantidade de patriotismo; e o tenho descoberto como o último refúgio dos patifes.

Não pode haver uma nação de milionários, e nunca houve uma nação de camaradas utópicos; mas pode haver muitas nações de camponeses toleravelmente felizes.

Todo governo é uma horrível necessidade.

É difícil tornar um governo representativo quando ele é, ao mesmo tempo, remoto.

É um bom sinal para uma nação quando as coisas estão sendo feitas imperfeitamente. Isso mostra que todo o povo as está fazendo. E é um mau sinal quando as coisas estão sendo feitas muito bem, pois, isso mostra que somente uns poucos experts e excêntricos as estão fazendo e que a nação está sendo um mero espectador.

Todo o mundo moderno se dividiu em conservadores e progressistas. O negócio dos progressistas é continuar cometendo erros. O negócio dos conservadores é prevenir que os erros sejam corrigidos.


Sociedade e cultura
Nunca pude ver nada de errado no sensacionalismo; e estou certo de que nossa sociedade sofre mais pela confidencialidade do que por quaisquer revelações extravagantes.

De tudo o que ouvimos da atividade e da pressa americanas, é realmente estranho que os americanos parecem gostar de se demorarem em grandes palavras.

É verdade que sou da velha guarda; muito do que amo foi destruído ou exilado.

Penso que o mais estranho sobre os povos avançados é que, ao mesmo tempo em que eles estão sempre conversando sobre as coisas como sendo problemas, eles, dificilmente, têm qualquer noção do que seja um problema real.

Super-civilização e barbárie estão a menos de uma polegada de distância. E uma marca de ambos é o poder do curandeiro.

Por especialistas em pobreza eu não quero dizer sociólogos, mas homens pobres.

Uma cidade moderna é feia não porque ela é uma cidade, mas porque ela não é suficientemente uma cidade, porque é uma selva, porque é confusa e anárquica, surgindo com a energia egoística e materialista.

Auto-negação é o teste e a definição do auto-governo.



Amor, casamento e os sexos

Amor significa amar o inamável, ou não é uma virtude, em absoluto.

As mulheres são as únicas realistas; todo seu objetivo na vida é opor seu realismo ao extravagante, excessivo e, ocasionalmente, embriagado idealismo dos homens.

O grande prazer do casamento é que ele é uma crise permanente.

O bom trabalho de um homem é conseqüência do que ele faz, o da mulher, do que ela é.

As mulheres têm uma sede de ordem e beleza como algo físico; há um estranho poder feminino de odiar a feiúra e o desperdício, enquanto que o homem bom somente odeia os pecados e as virtudes dos homens maus.

O casamento é um duelo mortal que nenhum homem honrado deve rejeitar.

Os primeiros dois fatos que um menino ou menina saudável sentem sobre o sexo são: primeiro que é bonito e depois que é perigoso.

Tenho poucas dúvidas de que quando São Jorge matou o dragão ele estava com um medo terrível da princesa.



Religião e Fé
Um dos principais usos da religião é que ela nos lembra nossa origem na escuridão, o simples fato de que fomos criados.

A Bíblia nos diz para amar nosso próximo e também para amar nosso inimigo; provavelmente porque eles são a mesma pessoa.

Se não houvesse Deus, não haveria nenhum ateu.

Há aqueles que odeiam o Cristianismo e chama esse ódio um completo amor pelas outras religiões.

O ideal Cristão não foi tentado e considerado imperfeito; ele foi considerado difícil e não foi tentado.

Os mistérios de Deus são mais satisfatórios que as soluções humanas.

Tem sido afirmado, muito acertadamente, que a religião é a coisa que faz o homem ordinário se sentir extraordinário; é uma verdade igualmente importante que a religião é a coisa que faz o homem extraordinário se sentir ordinário.

Teologia é somente o pensamento aplicado à religião.

A verdade é, claramente, que a rigidez dos Dez Mandamentos é uma evidência, não da obscuridade e estreiteza da religião, mas, ao contrário, da sua liberalidade e humanidade. É mais econômico afirmar as coisas proibidas do que as permitidas: precisamente porque muitas coisas são permitidas e apenas poucas proibidas.

Estes são tempos em que se espera do Cristão que ele admire todo credo, exceto o seu próprio.

O Puritanismo foi uma honrada disposição mental, uma nobre voga. Em outras palavras, foi um admirável erro.




Natal
Quando um homem considera o dia de Natal uma mera desculpa para se encharcar de comida e bebida, isso seria falso mas, haveria um fato verdadeiro escondido em algum lugar. Mas quando Bernard Shaw diz que o dia de Natal é somente uma conspiração estritamente comercial de avicultores e comerciantes de vinho, então ele diz algo chocante e magnificentemente estúpido. Ele poderia também ter dito que os dois sexos foram inventados por joalheiros interessados na venda de anéis.

Quem pensa que o Menino Jesus nasceu em dezembro entende por isso exatamente o que nós entendemos; que Cristo não é meramente um sol de verão para o próspero, mas um fogo invernal para o infeliz.

Quanto mais nos orgulhamos de que a história de Belém é simples o bastante para ser compreendida pelos pastores, e quase pelas ovelhas, tanto mais nos deixamos levar, através de obscurecidos e belos afrescos e procissões imaginárias, pelo mistério e majestade dos Três Reis Magos.

A grande maioria das pessoas continuará a observar formas que não podem explicar; elas continuarão, no dia de Natal, a trocar presentes de Natal e a aspirarem a benção de Natal; elas continuarão a fazê-lo; e algum dia, repentinamente, elas acordarão e descobrirão o por quê.



Moralidade e Verdade

Os homens não discordam muito nas coisas que eles consideram más; eles discordam, enormemente, sobre que males eles considerarão desculpáveis.

Não é que não temos patifes suficientes para amaldiçoar; é que não temos homens bons suficientes para amaldiçoá-los.

Há motivos para dizer a verdade; há motivos para evitar a calúnia; mas não há defesa possível para o homem que calunia e não diz a verdade.

A verdade integral é, geralmente, a aliada da virtude; a meia verdade é sempre aliada de algum vício.

A verdade é sagrada; e se você diz a verdade muito freqüentemente, ninguém acreditará.

A civilização tem corrido à frente da alma do homem, e está produzindo mais rápido do que ele pensa e possa agradecer.

Não é intolerância ter certeza de se estar certo; mas é intolerância ser incapaz de imaginar como pudemos ter errado.

Haveria muito menos desgraça se as pessoas não idealizassem o pecado e se posassem como pecadores.

Todos os homens têm sede de dizer a verdade mais do que bestas cansadas são sedentas por água; mas eles naturalmente se negam a confessá-los quando outras pessoas, que cometeram os mesmos crimes, se sentam por perto e se riem deles.

Idolatria é cometida, não somente pela instituição de falsos deuses, mas também, pela instituição de falsos demônios; fazendo os homens temerem a guerra e o álcool, ou a lei econômica, quando eles devem temer a corrupção espiritual e a covardia.

Eu digo que o homem deve estar certo de sua moralidade pela simples razão de que ele tem de sofrer por ela.

Para o homem humilde, e para o homem humilde somente, o sol é realmente o sol; para o homem humilde, e para o homem humilde somente, o mar é somente o mar.

Grandes verdades podem, somente, ser esquecidas, mas nunca podem ser falsificadas.

A voz de rebeldes e profetas especiais, recomendando descontentamento, deve, como eu disse, se fazer ouvir de quando em vez, repentinamente, como um anúncio. Mas as vozes dos santos e sábios, recomendando contentamento, devem soar incessantemente, como o mar.

Toda a ciência, mesmo a divina ciência, é uma sublime história de detetive. Mas ela não é para detectar porque o homem está morto; mas o obscuro segredo do porquê ele está vivo.

A maior parte da liberdade moderna tem sua raiz no medo. Não é que somos tão corajosos para nos submeter às leis; é que, ao contrário, somos muito tímidos para nos submeter às responsabilidades.

Se quisermos dar aos pobres entretenimento, devemos nos preparar para dá-los luxo. Se não os fizermos suficientemente ricos para serem limpos, então, devemos fazer o que fazíamos com os santos. Devemos reverenciá-los por estarem sujos.

O mundo será, muito proximamente, dividido, a menos que me engane, entre aqueles que continuarão explicando nosso sucesso, e aqueles, algo mais inteligentes, que estão tentando explicar nosso fracasso.

O que chamamos emancipação é, sempre e por necessidade, simplesmente, a livre escolha da alma entre um conjunto de limitações em detrimento de outro.

Há alguns desejos que não são desejáveis.

Na luta pela existência, a esperança começa a alvorecer somente para aqueles que permanecerem por dez minutos depois que tudo tenha se tornado desesperado.

A indulgência e tolerância modernas beneficiam os ricos; e não beneficiam mais ninguém.

O principal negócio terreno do ser humano é construir seu lar e seus arredores, tão simbólico e significativo para sua imaginação quanto ele seja capaz.



Teoria Econômica e Distributismo

O Grande Negócio e o Estado Socialista são muito parecidos, especialmente o Grande Negócio.

Nenhuma sociedade pode sobreviver da falácia socialista de que existe um número absolutamente ilimitado de autoridades inspiradas e uma quantidade absolutamente ilimitada de dinheiro para pagá-las.

Um cidadão dificilmente distingue entre um imposto e uma multa, exceto pelo fato de que a multa é, geralmente, muito menor.

Muito capitalismo não significa muitos capitalistas, mas muito poucos capitalistas.

O preço é uma coisa maluca e incalculável, enquanto o Valor é uma coisa intrínseca e indestrutível.

Os empresários, especialmente os grandes empresários, estão agora organizados como um exército. É, como alguns diriam, um militarismo suave sem derramamento de sangue; como eu digo, um militarismo sem as virtudes militares.

Todos, excetos os duros de coração, devem estar consternados com o patético dilema do homem rico, que tem de manter o homem pobre gordo o suficiente para conseguir trabalhar e magro o suficiente para ter de trabalhar.

Do ponto de vista de qualquer pessoa sã, o problema atual da concentração capitalista não é somente uma questão de lei, mas de lei criminal, para não falar de demência criminal.

Porque a garota deve ter cabelos longos, ela deve os ter limpos; porque ela os deve ter limpos, ela não deve ter uma casa suja; por que ela não deve ter uma casa suja, ela deve ter uma mãe livre e sem trabalho; por sua mãe não trabalhar, ela não deve ter um locador usurário; porque o locador não deve ser usurário, deve haver uma redistribuição de propriedade; porque deve haver uma redistribuição de propriedade, deve haver uma revolução.
Há apenas uma coisa em nosso meio, atenuada e ameaçada, mas detentora de um certo poder, como um fantasma da Idade Média: os Sindicatos.

[O capitalismo é] aquele sistema comercial em que a oferta imediatamente responde pela demanda e em que todo mundo parece estar completamente insatisfeito e incapaz de conseguir aquilo que deseja.

Nossa sociedade é tão anormal que o homem normal nunca sonha em ter a ocupação normal de cuidar se sua própria propriedade. Quando ele escolhe um negócio, ele escolhe um, entre milhares de negócios, que envolve cuidar da propriedade dos outros.

O argumento real contra a aristocracia é que ela sempre significa o governo do ignorante. Pois, a mais perigosa forma de ignorância é a ignorância do trabalho.

Fazer o locatário e o locador a mesma pessoa tem certas vantagens, tal como o locatário não pagar o aluguel e o locador não trabalhar muito.

Você não pode ter uma fazenda familiar sem ter família.

Eu daria à mulher não mais direitos, mas mais privilégios. Ao invés de mandá-la procurar aquela liberdade que, notoriamente, prevalece em bancos e fábricas, eu, especialmente, projetaria uma casa em que ela pudesse ser livre.



Arte e Literatura

Arte, como a moralidade, consiste em traçar uma linha em algum lugar.

A decadência da sociedade é louvada pelos artistas assim como a decadência de um defunto é louvada pelos vermes.

O temperamento artístico é uma doença que aflige os amadores.

Os selvagens e os artistas são igual e estranhamente levados a criarem algo mais feio que eles mesmos. Mas, os artistas acham a tarefa mais difícil.

A decoração do mundo não é trabalho da natureza, mas um trabalho de arte, assim, ele envolve um artista.

Por uma curiosa confusão, muitos críticos modernos passaram da proposição de que uma obra-prima pode ser impopular para a outra proposição de que, a menos que seja impopular, ela não é uma obra-prima.

E em todo o mundo, a velha literatura, a literatura popular, permanece a mesma. Ela consiste de muita tristeza digna e de muito divertimento indigno. Suas tristes lendas são de corações partidos; suas lendas alegres são de cabeças partidas.

As palavras de uma boa prosa significam o que elas dizem. As palavras de uma boa poesia significam o que elas não dizem.



Palavras Passadas e Dilemas Atuais

Pais ausentes
O que é chamado matriarcado é, simplesmente, anarquia moral, na qual as mães ficam sozinhas porque todos os pais são fugitivos ou irresponsáveis.

Volta à natureza
Propriamente falando, é claro, não existe tal coisa como uma volta à natureza, porque não uma tal coisa como uma saída dela. A frase lembra um cavalheiro, levemente embriagado, que se levanta na sua própria sala de jantar e declara, firmemente, que está indo para casa.

Preconceito
O preconceito é uma incapacidade de conceber, seriamente, uma alternativa a uma proposição.

Pena Capital
De minha parte, não haveria nenhuma execução, exceto pela plebe; ou, pelo menos, pelo povo agindo muito excepcionalmente. Eu proibiria a pena capital, exceto em casos de confisco. Assim, haveria alguma chance de uns poucos de nossos reais opressores serem enforcados.

Distribuição de Preservativos
Nossos mestres materialistas podem, e provavelmente irão, colocar o Controle de Natalidade em um programa prático imediato, enquanto todos nós estamos discutindo o terrível perigo de alguém colocá-lo numa distante Utopia.

O Sistema Educacional
O propósito da Educação Compulsória é o de negar às pessoas comuns seu senso comum.

Apesar das autoridades acadêmicas se orgulharem de conduzir tudo por meio da Avaliação, elas raramente cedem ao que as pessoas religiosas descrevem como Auto-Avaliação. A conseqüência disso é que o Estado moderno tem educado seus cidadãos numa série de modas transitórias.



Uma Sociedade Litigante
A posição que agora nos encontramos é esta: começando pelo Estado, tentamos remediar os fracassos de todas as famílias, de todas as creches, de todas as escolas, de todas as oficinas, de todas as instituições secundárias que tiveram, no passado, alguma autoridade própria. Tudo é, ao fim, levado aos Tribunais. Nós estamos tentando parar o vazamento que acontece do outro lado.

Psicanálise
Psicanálise é uma ciência conduzida por lunáticos para lunáticos. Eles estão, geralmente, preocupados em provar que as pessoas são irresponsáveis; e eles, certamente, tiveram sucesso em provar que algumas pessoas são.

Direitos Reprodutivos
Deixemos todos os bebes nascerem. Então, afoguemos aqueles de quem não gostarmos.

Separação Igreja-Estado
Liberdade religiosa deve significar que todos são livres para discutir sobre religião. Na prática ela significa que a quase ninguém é permitido mencionar o assunto.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Missa com crianças - postagem no feicebúqui.

Missa das 10h no domingo celebrada pelo D. Pedro, nosso Pastor diocesano. Pontos interessantes:

*Comentou sobre o fato de chegar atrasado na missa. Quando era pequeno, toda a família ia para a igreja bem cedo. Ficavam esperando a missa na igreja.

*Uma senhora chegou durante o "Cordeiro". Isso ele já era padre. Na hora da comunhão, D. Pedro disse baixinho a ela que tinha visto. Se ela realmente desejaria comungar. Ela preferiu esperar a próxima missa. Depois o agradeceu por tê-la feito enxergar sua falha.

*D. Pedro pediu para que os comungantes na mão, observassem bem sua mão se não ficaram Partículas e as levasse a boca caso positivo. Demonstrando assim uma grande preocupação com Jesus Eucaristico. O que há muito não via. Assim que tiver com ele, vou sugerir que voltem a usar a patena na hora da comunhão. Os coroinhas quase não fazem nada na missa. Eles irão adorar, alem de ser uma prática de grande zelo para com a Eucaristia. Digo porque fui coroinha e apreciava muito este momento.

*O católico ser profeta. Ou seja, não temer anunciar a Verdade. Mesmo que isso lhe custe amizades, laços de família e até a morte.

*Não elevou o Evangeliário após a proclamação da Palavra, pois sabe que a turma APLAUDE ( 😳 ) ao invés de fazer o sinal da Cruz. 😂

*Pior que o pessoal sabe que faz coisas erradas. Exemplo: após a comentarista ler uma carta em homenagens aos pais, ninguém, mas ninguém mesmo, nem o Kalil M Gebara aplaudiu. Coisa que acontece com frequencia quando destas homenagens. Por que não o fizeram? Porque respeitaram a presença do nosso Bispo Diocesano.

*Só deixou cantar "Parabéns" após ter encerrado a missa com a benção final.
Tomara que celebre mais vezes aos domingos. Uma excelente oportunidade para converter os batizados. Já profetizava Pe. Antonio Vieira: "Antigamente batizava-se os convertidos; hoje é preciso converter os que são batizados".

Na foto que peguei emprestada no album do Rodrigo Freitas (espero que não fique chateado), vemos D. Pedro e o Padre Paulo Ricardo. (O que deve ter de pejoeiro e simpatizante da Teologia da Libertação se coçando ao ver esta foto, não está no gibi).



Postagem no Facebook em 19.08.2016


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Atletas militares

Postagem no Feicebúqui esclarendo sobre as diversas publicações que faço quando militares sobem ao pódio. 

Sgto Rafaela (imagem: Ig)

Imagem: Ministério da Defesa

Sargento Chibana (Imagem: Blog rvchudo)

Sargentos Thiago Braz e Robson Conceição (Imagem: Folha de S.Paulo)

Esclarecendo: tenho postado (e irei continuar) publicações sobre os atletas militares. Dá para perceber que agrada muito mais do que aborrece. Esquerdistas evidentemente se irritam. Mas também tem incomodado amigos conservadores.

Sou um admirador das FFAA desde minha adolescência. Aprendi com meu avô que nem era militar. Tentei entrar, mas por incompetência não consegui. Ao contrário, dois primos que éramos inseparáveis, estão a servir o EB até hoje. Não consegui, mas um filho está lá. Juro que nunca o influenciei.

Algumas postagens geraram discussões bobas, tipo: o atleta é, não é militar , segue ou não a rotina do quartel, o tempo e treinamento é ou não igual ao de carreira, etc.
Se o atleta entrou "pronto" nas FFAA, pouco importa para mim. Torço por eles. Sinto aflorar o patriotismo ao vê-los prestando continência à bandeira nacional.
Não sou um imbecil que imagina que o cara ganhou a medalha por ser militar. Da mesma forma torço para os atletas católicos como as garotas norte americanas e o Bolt. Sei que venceram não por ser católicos ou rezar o Terço. Mas torço por eles. Isto me provoca um bem-estar. É o mesmo que torcer pelo Nenê, jogador do meu clube do coração. Ele não foi cria do Vasco, mas está lá. Defendendo as cores do clube.
Assim é, e assim será minha torcida pelos atletas Militares. Em especial aos que vestem verde-oliva.

Nada paga ver o desespero e aflição dos mortadelas ao tomarem conhecimento que um militar vai subir ao pódio. Não tem nada demais, tendo em vista que a continência é apenas uma saudação rotineira no mundo militar. Mas esse povo adora politizar. Eu apenas dou corda.

É isso.

Facebook em 17/08/2016

terça-feira, 14 de junho de 2016

14 de junho - Dia da Beata Nhá Chica


Procissão com relíquia e imagem da Beata Nhá Chica ao redor da catedral e praça D. Ferrão:

Video I

Vídeo II

Video III


terça-feira, 7 de junho de 2016

"Ditador" x "Prefeito socialista"

Garrastazu Medici, um dos maiores presidentes deste país, que durante seu mandato elevou o Brasil a 8° economia mundial, eliminou o desemprego, construiu obras necessárias e marcantes, etc. ; foi reconhecido até pelo comunista Lula como um grande presidente, recebia um salário de quase R$2.500,00.

O chefe do Executivo da minha aldeia (15 mil habitantes), recebe um mísero salário de 18 mil e poucos reais.


Facebook em 07.06.2016

terça-feira, 19 de abril de 2016

Algumas reflexões feicebuquianas - Maria Alice da Nóbrega.

Maria Alice da Nóbrega - arquivo pessoal
Antigamente a maior motivação para se rezar e para ir à missa, era a Salvação Eterna como prêmio. Hoje, é preciso chaleirar os fiéis para que eles participem ao menos da Santa Missa nos domingos. É por esses e por outros motivos que a fé está ficando cada vez acomodada com o "vamos, porque fulano chamou e temos que ir", "vamos porque o padre foi muito bonzinho com a gente". Um coisa é evangelizar a pessoa. Outra coisa é bajular e prometer um falso céu na terra.
Entendam, a Salvação é individual. Não dependa dos outros para isso. Busque Cristo na Sagrada comunhão, busque Maria Santíssima na sua puríssima intercessão e sobretudo, busque a Igreja e os seus ensinamentos.”
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“Muitos me questionam sobre o meu amor pela minha Fé e pela minha Igreja. A resposta é simples:
Antes de tudo, Deus me amou primeiro. E foi aí onde surgiu a necessidade incansável de unir-me a esse amor de Pai que não para um só instante. Um amor que não se cansa de amar.
Posso até enfraquecer o meu amor por causa da mancha do meu pecado, mas Ele não desiste e nunca desistirá me amar.”
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Quando uma mulher se comporta com elegância e com atitudes recatadas, ela não precisa fazer mais nada, pois só a sua presença já modifica o comportamento de um homem que possuía malícias no seu coração por esta mesma mulher.
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Mais bonito que uma mulher fiel ao Rosário, é um homem. A mulher possui em sua natureza uma maior facilidade de conhecer a piedade divina. Já o homem, possui uma dificuldade maior. Quando o homem se desarma diante de Deus, o Céu se enche de alegria e Deus revigora ainda mais as suas forças.
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“Sabe por que muitas pessoas se surpreendem com questionamentos e com as respostas radicais a respeito do posicionamento da Igreja (dogmas, Evangelhos...) em diversos assuntos?
Porque, infelizmente, falta catequese, falta teologia, falta o amor pela Verdade, falta o amor pela salvação do outro. O que é válido e indispensável para a conversão e Salvação, está sendo substituído pelo contexto do "relativismo na Fé", onde "tudo pode por que Deus perdoa", tratando a Salvação Eterna como uma herança "qualquer".
Não culpem só os leigos por não saberem disso, culpem os formadores que tem preguiça ou até mesmo receio de ensinar a Verdade.”
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Quando começamos a amadurecer a nossa Fé (no sentido dogmático e espiritual), a nossa vida se transforma. Se o indivíduo procura antes de tudo fazer a Vontade de Deus, não é preciso fazer mais nada a não ser que seja por ordem divina. O amadurecimento cristão parte do interior transformado por Deus ao exterior que, por sua vez, serve de testemunho para muitos.
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“A Eucaristia é algo tão precioso, tão único, tão divino, que se eu pudesse me confessaria todos os dias antes de receber Jesus Eucarístico. E mesmo assim, não seria digna e nem nunca serei digna de recebê-lo.
Deus é Santo, Único e Verdadeiro. Obrigada Jesus, por doar-se todos os dias pelos meus pecados e pelos pecados do mundo inteiro.”
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Maria Alice da Nóbrega, é católica, paraibana, conservadora e aluna da UEPB.

sábado, 9 de abril de 2016

Tecnologia e liturgia

Republico este maravilhoso texto do Prof. Carlos Ramalhete para compartilhar com os amigos católicos um ensinamento que muitas vezes passa desapercebido de nossas vistas, apesar de tão explicito e arregalado.

As mais belas fotografias já registradas de nossa catedral foram tiradas pelo Carlos Ramalhete. Quando ele as fez, o sacristão ofereceu para acender todas as luzes. Ramalhete não aceitou. Disse que quanto menos luz melhor. Fiquei sem entender, afinal a luz é essencial para a fotografia. As imagens ficaram divinas. Veja-as clicando aqui. Anos depois, lendo o texto, percebo que não só para as imagens fotograficas, mas para nossa espiritualidade, quanto menos luz melhor.

Texto este que pode também ser complementado com este aqui, onde o Ramalhete me ensinou muito: Igrejas sempre tiveram bancos?

Penso ser de suma importância sua leitura especialmente pelos queridos amigos que participam de movimentos e pastorais na nossa igreja. Percebemos que, apesar de muitos anos dedicados ao serviço pastoral, pouquíssimo ou quase nada sabemos da grandeza da graça nos proporcionada por Nosso Senhor, através da Igreja, na Liturgia. Como nos diz o Ramalhete logo no início: "trocamos nossa progenitura por um prato de lentilhas".

Após a leitura, talvez a irritação e revolta aflore. Não se preocupe. Deixe a poeira abaixar, leia novamente e verás o quão importante é o conhecimento do verdadeiro espírito da liturgia. 

Eis o texto retirado do Medium.com:



Professor Carlos Ramalhete

A liturgia é, como a Fé e demais graças, um presente de Deus. E, como fazemos com as graças, temos a tendência de estragar tudo, de trocar nossa progenitura por um prato de lentilhas e a Eternidade por uma alegriazinha boba qualquer agora. Para piorar a situação, os avanços tecnológicos exacerbaram a tentação de atrapalhar a liturgia. E quando à natureza humana e à sua amplificação — para o bem e para o mal — pela tecnologia se junta a crise litúrgica que seguiu o Concílio Vaticano II, com invencionices delirantes tomando o lugar do que manda a Igreja e maus hábitos se instalando e sendo tratados como a regra, a situação fica realmente difícil.

Ensinou-nos o Santo Padre Bento XVI que, das más modas que seguiram a reforma litúrgica paulina, a mais grave é a celebração da Santa Missa com o padre virado ao contrário, enfiado atrás do altar e olhando para as pessoas, substituindo a multidão que se dirige a Deus por um círculo fechado em si mesmo.

“Círculo fechado em si mesmo” é exatamente o que o Pecado Original faz de cada um de nós. Adão, que antes da Queda referia-se a Eva como “carne da minha carne, sangue do meu sangue”, imediatamente após a Queda tratou-a como “a mulher que pusestes ao meu lado”. Ele se afastou dela, fechou-se em si mesmo. E a liturgia, decididamente, não pode ser algo fechado. Ao contrário, ela é e tem que ser percebida como a maior de todas as aberturas: a abertura do temporal ao Eterno, do humano ao divino, do finito ao Infinito.

Os outros erros e problemas litúrgicos são, em enorme medida, frutos do erro tão bem apontado por Sua Santidade o Papa. É quando o padre, enfiado atrás do altar, vê-se olhando para o povo que a humaníssima tentação de agradar a todos, de dar atenção às pessoas em detrimento de Deus, torna-se ainda mais forte. É quando o padre vê diante de si aquela multidão, que tanto parece uma platéia, que lhe parece evidente que eles devem ser capazes de ouvir o que ele tem a dizer, de — pior ainda — ouvir sua voz. Ora, a voz que deve ser ouvida é a da Igreja, a de Deus, certamente não a do padre (ou do comentarista, ou da Pastoral Litúrgica, ou de quem quer que seja que tenha uma voz particular). E, finalmente, é por se formar este estranho círculo que surge a tentação de “equilibrá-lo”, forçando a assembleia a um protagonismo exagerado em que das respostas passa-se a gestos (“balançar folhetinhos”, etc.) e dos gestos a, quase, coreografias. Ao mesmo tempo, o presbitério nega seu nome e se enche de leigos, “equilibrando” os dois lados dos estranhos parênteses de gente dentro dos quais jaz uma mesa, usada à guisa de altar e apontando para as pessoas em volta ao invés de para Deus.

Vejamos, então, como a tecnologia moderna literalmente amplia e ilumina estas tentações, afastando ainda mais a liturgia do seu verdadeiro espírito e tornando ainda mais difícil a participação real e frutuosa, que ocorre não quando nos mexemos muito, mas quando nos unimos ao Sacrifício Redentor, ali tornado novamente presente de forma incruenta para nossa santificação.

Para isso, convém dar uma régua de medição. A mais perfeita, claro, é a que o próprio Espírito Santo suscitou na Igreja ao longo dos séculos: a tecnologia da arquitetura sacra clássica, perfeitamente adequada à liturgia e a seu espírito.
Quando visitamos uma igreja pré-moderna, vemos alguns elementos arquitetônicos comuns, perfeitamente adequados à liturgia. O primeiro deles é a posição do altar. O altar-mor, em uma igreja clássica, é o ponto focal de toda a edificação; quando entramos na igreja o nosso olhar imediatamente é atraído para a extremidade oposta à da porta, em que o altar-mor, como uma imensa escada, aponta o caminho do Céu. No primeiro degrau, o túmulo dos mártires (dentro da pedra do altar há sempre relíquias de mártires); no segundo, o próprio Senhor Sacramentado, descido dos Céus, para nos “puxar para cima”; nos demais degraus, os focos de luz das velas apontando sempre para cima, até encontrarmos, no lugar para onde somos chamados a ir, a imagem de alguém que, nas palavras de São Paulo, “venceu a corrida”: um Santo, que um dia esteve como nós diante do altar e hoje, pela graça de Deus, está sobre ele.

Recuando deste ponto focal absoluto, que é o altar-mor, descemos três degraus “humanos”; assim como os “degraus” gigantescos do altar que só as almas sobem, os três degrauzinhos do presbitério, que o corpo do padre agindo na Pessoa de Cristo sobe e desce durante a Missa, fazem parte desta escalada do profano ao Sagrado, do transitório ao Permanente, do finito ao Infinito. O padre sobe os degraus como um ser humano que se aproxima de Deus, e os desce como Deus que se aproxima dos homens; fala a Deus e fala aos homens, virando-se para o altar ou para a assembleia.

Recuando ainda um pouco, encontramos a Mesa de Comunhão, em que ocorre para nós o mais íntimo e (quando percebemos o que realmente ocorre) apavorante encontro do humano com o Divino: a recepção do Corpo e Sangue do próprio Senhor, do mesmíssimo Corpo que nasceu da Virgem Maria e foi elevado na Cruz. A Mesa de Comunhão parece uma cerca, mas não é. Na verdade, ela é uma rampa de lançamento, verdadeiro degrau inicial daquela mesma escada. Ela separa a nave da igreja, lugar onde fica o profano que busca o Sagrado, do presbitério, lugar do Sagrado que vem ao encontro do profano. Ao mesmo tempo, quando nos ajoelhamos junto a ela para receber o próprio Senhor sacramentado, somos elevados pela graça divina e escalamos, puxados por Deus, aquela escada mística de Jacó cuja figura nos contempla do altar-mor.

Aquém da Mesa de Comunhão, estamos na nave da Igreja: um amplo e altíssimo espaço vazio (a adição de bancos e cadeiras é muito recente), coberto apenas de luz e de cor. Dos lados, abaixo dos vitrais, outros altares, versões pequenas do altar-mor, servem para que o Santo Sacrifício possa ser oferecido simultaneamente por vários sacerdotes; neles, ainda, a Missa de um padre solitário não interfere na meditação de quem esteja a rezar sozinho ou a adorar o Santíssimo Sacramento. Cada fiel é livre para participar de uma das várias Missas, cada uma em um ponto da liturgia, ou para ir de Consagração em Consagração, ou ainda para ignorá-las todas, ou mesmo participar à distância de todas. Não há nem pode haver ali nenhum círculo fechado; ao contrário, cada fiel está aberto para todos os lados, e vários focos de abertura do temporal ao Eterno — em cada altar lateral — brilham simultaneamente. É um lugar de encontro, um “parlatório” múltiplo e variegado dos muitos homens e o único Deus, em que cada homem não deixa de ser homem, mas não faz nem de si mesmo nem dos demais homens o foco de sua atenção.

Acima de todos a luz do sol entra, filtrada e colorida pelas imagens sacras dos vitrais. A luz serve para que possamos enxergar. Mas numa igreja clássica há dois tipos de luz: a que Deus faz, que entra pelos vitrais, e a que o homem faz para Deus, concentrada no altar, na forma de velas. A luz de Deus é mais forte e mais bela, mas a Igreja, na sua sabedoria, a filtra em cores. Os vidros são todos coloridos, porque a luz nua do sol ilumina demais. Não convém haver tanta luz, porque a igreja não é tanto lugar de apreciação sensível quanto de apreciação mística: o que acontece de mais importante ali é invisível, e a beleza das luzes coloridas dos vitrais só faz sublinhar o Mistério maior que ocorre sobre o altar, ao emoldurá-lo em cores. Do mesmo modo, as paredes de uma igreja clássica muitas vezes são revestidas de pinturas coloridas, que se unem à luz dos vitrais para nos dar ao mesmo tempo uma verdadeira aula — pois cada figura que ali vemos tem seu sentido e sua simbologia — e um banho de beleza em estado bruto. A vista da nave da igreja, a vista do lugar de onde nós, leigos profanos, nos aproximamos do Infinito e Sagrado, é a mais bela vista do mundo. Na verdade, a beleza é bem maior vista da nave que do próprio presbitério, de onde praticamente só se pode ver o próprio altar, aquela escada altíssima que lembra ao humano sacerdote o quanto ele tem que subir, o quanto lhe falta escalar para alcançar a santidade daquele outro servo de Deus cuja imagem está no mais alto dos degraus.

Na própria nave, vemos ainda dois púlpitos, um de cada lado. São balcõezinhos altos, para uma só pessoa, donde o sacerdote pode falar e ser ouvido, por estar acima das cabeças dos presentes. O som do púlpito alcança a igreja inteira, e se a multidão estiver — como deve estar — silenciosa, cada palavra dita dali é ouvida sem dificuldade por todos os presentes.

Por cima da porta principal, com a mesma tecnologia do púlpito, o coro ao mesmo tempo esconde as faces e eleva as vozes dos cantores e organista: a música parece vir de toda parte e de lugar nenhum ao mesmo tempo. Dos lados do coro, mas fora da nave e muito mais altos, os sinos das torres levam para o mundo lá fora a mensagem de salvação da Igreja.

Vejamos agora como a tecnologia moderna perverteu aquilo que o Espírito Santo, ao longo dos séculos, suscitou na Igreja.

A tecnologia mais problemática para a liturgia é a eletricidade. Costumo dizer que se acabasse a eletricidade, a imensa maioria dos problemas litúrgicos desapareceria instantaneamente; quem nunca passou pela experiência de ir à Missa e, devido a um blecaute, ter a deliciosa surpresa de participar de uma Missa infinitamente mais adorável e santificante, celebrada sem eletricidade para atrapalhar?

A eletricidade tem duas maneiras principais de estragar a liturgia, amplificando as tentações até o ponto em que elas escondem a liturgia e fazem crer que outra coisa, completamente diversa, esteja a acontecer ali.

A primeira delas é a amplificação sonora. Os efeitos da amplificação sonora sobre a liturgia são devastadores. Como vimos anteriormente, as soluções da tecnologia clássica da Igreja fazem com que — havendo silêncio da assembleia — a voz do sacerdote falando do púlpito, bem como as vozes do coro e do órgão, cheguem sem problemas a todos os ouvidos. Não é, todavia, audível o que o padre diz quando está diante do altar. O próprio Concílio de Trento anatemizou quem dissesse que estas palavras deveriam ser audíveis pela assembleia, porque não se trata de um detalhe irrelevante, mas de um ponto de teologia importantíssimo: o que o padre diz junto ao altar não é para nossos ouvidos; ele está se dirigindo a Deus, não a nós. Ele fala, sim, em nosso nome, mas as palavras que enuncia são as palavras da Igreja, que temos no Missal. Ele não diz outra coisa, não inventa nem pode inventar nada, e, aliás, por que o faria, se é só Deus quem o ouve? Quem quer saber o que ele diz pode e deve abrir o Missal e ler, sem ter como cair na tentação de achar que é para si que fala o sacerdote.

Já, por outro lado, as palavras de Deus para o homem, na Liturgia da Palavra e na homilia, são e devem ser audíveis: para isso serve a posição elevada do púlpito, que ao mesmo tempo faz chegar a voz do sacerdote a toda a igreja e força a assembleia ao silêncio.

Quando a voz do sacerdote é amplificada, desaparece completamente a distinção que já se tornara difícil de perceber com a estranha moda de colocar o padre atrás do altar, eliminando a clareza de seus atos ao não mais fazê-lo, como manda o Missal, voltar-se para a assembleia ou para o altar. Tudo o que o sacerdote diz passa a ser enorme, altíssimo, tonitruante e, pior de tudo, aparentemente voltado aos fiéis. É como se ele estivesse falando com eles todo o tempo, quando na verdade ele é o intermediário entre eles e Deus, e ora fala pela Igreja a Deus, ora fala por Deus a Seu povo. Com um microfone, a tendência é desaparecer o sacerdote — que age na Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo — e surgir a pessoa do padre Fulano, que deveria desaparecer completamente durante a Santa Missa para dar lugar ao Cristo.

Um frade já idoso uma vez comentou comigo o quanto lhe agastava ver que nas fotos dos convites das raras ordenações de sua congregação nunca o novo padre aparecia com o Cálix, como se costumava fazer. Ao contrário, disse-me ele, todos posam para a foto com um microfone na mão Poucas coisas são tão representativas da nossa sociedade do espetáculo quanto o fetiche do microfone; as pessoas gostam de ver-se fotografadas segurando um microfone à frente dos lábios, e dar ao vulgo um microfone é incitá-lo a falar. O mesmo ocorre, é claro, com os sacerdotes, que são seres humanos como todos nós, mas que sofrem tentações muito mais fortes por serem troféus muito maiores para os demônios. O microfone é uma tentação enorme, que muitas vezes se disfarça e se desculpa. E aí temos o padre que manda um exército de ministros extraordinários ilicitamente distribuir o Santíssimo em tempo recorde nas Missas dominicais, para em seguida sentar-se e ficar por vinte minutos falando platitudes ao microfone, convencido pela própria vaidade e pelo demônio de estar ajudando na ação de graças dos fiéis. Ora, ele está calando a voz do Senhor ao encher a nave com a própria voz, e está pregando novamente na cruz as mãos do Senhor ao substituir ilicitamente suas mãos sacerdotais, ungidas pela Igreja para distribuir a graça divina, pelas mãos profanas de leigos, com a desculpa do tempo gasto… que ele mesmo gasta com seu discurso vazio ao microfone logo em seguida.

Do mesmo modo, com a voz amplificada é facílimo e comuníssimo que o padre invente, parafraseie e improvise ao longo de toda a liturgia. De um inútil e desrespeitoso “bom-dia” no início da Missa a longas elucubrações e paráfrases em cada um dos já demasiados “ad libitum” da liturgia paulina, o prazer de ouvir a própria voz leva o padre a cair na tentação de calar a Igreja para falar pessoalmente, de negar o Cristo para ele mesmo crescer na atenção da assembleia, substituindo e adicionando suas palavras todo o tempo.

A amplificação ainda apresenta outro fator tremendamente perturbante: o som — como o do coro na tecnologia litúrgica clássica — vem de todos os lugares e de lugar nenhum. Todos ouvem a voz tonitruante que sai de inúmeras caixas de som, mas descobrir de onde ela vem originalmente, onde está a pessoinha que fala ao microfone, demanda atenção. Com isso, a liturgia — já desprovida dos marcadores visuais e auditivos mais evidentes, como mencionei acima — torna-se algo ainda mais confuso. O som amplificado é um nevoeiro auditivo, que obnubila qualquer direcionamento da atenção ao fazer com que toda voz venha de todos os lados ao mesmo tempo.

Em uma situação moderna normal em que haja amplificação — um espetáculo musical, por exemplo — é normalmente claro de onde vem o som, por se tratar de um monólogo completamente natural. É uma pessoa, ou uma banda, que dirige a uma plateia o som que produz. Já na liturgia, como vimos, o som só deveria ser dirigido do altar à assembleia parte do tempo; o sacerdote é, ele também, membro da assembleia, e é em nome dela que ele se dirige ao altar. O distante sussurro do sacerdote junto ao altar, com uma assembleia perfeitamente silenciosa diante do magno Mistério que ali se torna presente, deveria ser para todos nós ocasião de unirmo-nos em oração a ele, de, nós também, virarmos para o altar e rezar. Do mesmo modo, a voz dele vindo do púlpito deveria nos levar a prestar atenção e fazer silêncio.

Mas quando o que temos é uma voz tonitruante que vem de todos os lados ao mesmo tempo, a tendência humana é, ao contrário, diminuir a atenção; a voz se torna um ruído ambiente, não uma voz que fala conosco. Afinal, quem fala conosco se dirige a nós, e a incorporeidade daquela voz a torna impessoal.
Quando diminuímos a atenção, fatalmente surgem conversas paralelas, que por sua vez levam a aumentar ainda mais o volume daquela voz que vem de todos os lados ao mesmo tempo, tornando-a ainda mais confusa pela soma de dezenas de cochichos paralelos igreja afora.

Vejam que armadilha demoníaca: para o padre, o microfone tenta a aumentar-se e diminuir ao Cristo, a fazer da liturgia um seu espetáculo pessoal; já para a assembleia, a amplificação faz com que o padre desapareça e com que o que ele diz seja algo a que se presta menos atenção.

E a amplificação artificial, para piorar a situação, não se restringe ao sacerdote. Do mesmo não-lugar de que vem a voz do padre, vêm as vozes, violões e percussões da bandinha de música, que igualmente cai na tentação de se achar em um espetáculo, que já vitimara o padre. E tome cantor falando platitudes ao microfone com a desculpa (para si mesmo) de estar ajudando as pessoas a fazer ação de graças, e tome tocador de violão a fazer arpejos durante a Consagração para “criar um climinha”, como se ele fosse um pianista de cinema mudo. E tome invencionices melódicas, rítmicas e harmônicas, normalmente ainda pioradas quando, por qualquer razão que seja, a bandinha está em um lugar em que ela esteja à vista da assembleia. A tentação de ser a estrela, de dar um espetáculo, é uma tentação demasiadamente presente para que possamos nos dar ao luxo de ignorá-la como vem sido feito na maior parte das paróquias.

E, finalmente, ainda há as outras vítimas do microfone: as pessoas que são levadas, por razões pseudo-pastorais, a ir lá na frente falar alguma coisa (leituras, comentários, avisos, tanto faz), numa espécie de contraponto geralmente forçado, constrangido e tímido aos espetáculos em competição do padre e da bandinha. Estes falam longe do microfone ou falam alto demais, usam enunciações e prosódias estranhas, e fazem, em geral, com que se perca ainda mais o senso de sacralidade da liturgia. Já é ruim que haja o que foi descrito acima; quando se tem regularmente breves interrupções em que alguém tem que aprender em pleno vôo como se usa o microfone, a pouca fluidez litúrgica que ainda sobrava em geral desaparece completamente, fazendo com que recrudesçam os papos paralelos (tornados possíveis pelo volume da amplificação) e diminua ainda mais a atenção geral ao que realmente está acontecendo ali.

Finalmente, a eletricidade ainda tem efeitos sonoros decorrentes não da amplificação, mas do uso de aparelhos de ar condicionado e ventilador. Estes aparelhos produzem um ruído a que se chama “ruído branco”, que consiste em um ruído contínuo e aleatório que se distribui por um amplo espectro. O ruído branco tem a propriedade de fazer desaparecer, por mistura, a clareza dos demais sons. É por isso que é dificílimo ouvir o que dizem na mesa ao lado em um restaurante lotado, por exemplo: o ruído branco resultante da soma de todas as conversações faz com que aquela voz a um metro de distância, que ouviríamos perfeitamente em um ambiente silencioso, simplesmente desapareça. Na igreja, o ruído branco dos ventiladores ou ar condicionado faz com que as conversas cochichadas sejam inaudíveis, e não atrapalhem individualmente quem está ao redor. Ora, isso faz com que haja mais e mais conversas cochichadas, o que aumenta ainda mais o volume do ruído branco, pela soma dos cochichos ao ruído das máquinas, e mistura mais ainda o som do microfone, levando os técnicos a aumentá-lo ainda mais, o que por sua vez leva as pessoas a ter ainda menos pejo de conversar, etc., num ciclo vicioso antilitúrgico verdadeiramente demoníaco. Comparem isso com uma igreja forçada ao silêncio para ouvir a voz em amplificação que vem do púlpito, e fica fácil entender do que estou falando.

A outra maneira pela qual a eletricidade estraga a liturgia é pela iluminação elétrica. A tecnologia luminosa clássica da Igreja consiste, como vimos anteriormente, na combinação da luz branca e nua, porém pequena, das velas com a luz forte, porém matizada e colorida dos vitrais. As velas atraem a atenção para o altar, enquanto as imagens dos vitrais suscitam a meditação em quem as contemplar, enquanto inundam a igreja de uma luz que — como o som do coro — é suave e parece vir de todos os lados ao mesmo tempo.

Já a iluminação elétrica que hoje encontramos na maior parte das paróquias é extremamente semelhante à que vemos, por exemplo, em agências bancárias: uma luz forte, branca, dura e brutal, que ilumina tudo por igual e a tudo faz igual. A nave da igreja torna-se igual ao presbitério, que se torna igual ao altar (aliás desaparecido na forma de uma mesa, muitas vezes difícil de encontrar). As velas desaparecem, com seu brilho muitas vezes ofuscado até mesmo pelos reflexos da luzes fortíssimas do teto nos seus próprios candelabros, por exemplo. Todo o simbolismo das velas se perde, toda a riqueza das mensagens de luz dos vitrais desaparece, e a igreja toda se vê igualada, toda ela perfeitamente iluminada e perfeitamente indigna de atenção, como uma agência de banco. Cada sujeirinha do chão é visível, mas o altar é algo que se precisa procurar (mormente quando o som também vem de todos os lados ao mesmo tempo!). As roupas das pessoas da assembleia aparecem plenamente, com suas cores e texturas a despertar curiosidade, à luz brutalista da eletricidade, mas as vestes litúrgicas — que numa igreja clássica refletiriam sozinhas as luzes das velas e atrairiam a atenção de todos — parecem uma decoração de um canto da igreja; um espetáculo de teatro teria uma diferença de iluminação entre o palco e a plateia, mas nas paróquias de hoje o presbitério e a nave são banhados pela mesma luz dura e feia, sem que se saiba o que é o quê.

A luz elétrica, assim, como a amplificação artificial do som, mistura tudo e elimina as diferenças, trabalhando ativamente para frustrar a liturgia da Igreja. Se temos consciência destas tentações que venho de descrever, fica mais fácil tentar vencê-las. Se não tivermos, todavia — e não a ter é a regra hoje em dia — a tendência é cairmos cada vez mais fundo nelas.

Que São Gregório Magno, São Pio V e São Pio X nos ajudem a vencê-las, sempre!