quinta-feira, 26 de março de 2015

Reabertura da Catedral Santo Antônio - Campanha MG ( II )

Coral da Catedral - pausa para descanso

Violões

Violinos e flauta



Pe. Luzair, Dom Diamantino e Pe. Marquinho Iabrud

Pe. Edson e Pe. Bruno César







Reabertura da Catedral Santo Antônio - Campanha MG ( I )

25/03/2015 um dia histórico para o povo católico campanhense. 
Catedral vista do quintal de minha casa.












Capela do Santíssimo Sacramento - Imagens de São Francisco Xavier e São Luiz Gonzaga .


Coral da Catedral - Reabertura Catedral - I - 25/03/2015

Coral da Catedral na reabertura da Catedral de Santo Antônio, após restauração pelo Pároco e Cura, Pe. Marquinho Iaburd. 25/03/2015.


Catedral e suas torres.

Catedral Santo Antônio ainda em fase de pintura. 




sexta-feira, 20 de março de 2015

Escola Municipal Dom Othon Motta e a polêmica das imagens.


Deixo aqui registrada todas as postagens que fiz no Facebook por ocasião da retirada do quadro do patrono Dom Othon, da imagem de Nossa Senhora e dos crucifixos das salas de aula.

Após mobilização dos católicos (solidarizaram-se com nossa causa, cidadãos não católicos e agnósticos também) nas redes sociais, manifestando sua indignação com o ato; convite à EPTV para fazer uma matéria a respeito e coragem de uma professora em falar aberta e claramente com o diretor da escola, prevaleceu o bom senso. As imagens voltaram a seus devidos lugares. 

Nada  mais justo. Campanha é uma cidade tradicionalmente cristã, sede de Diocese, destacou-se em sua história pelos colégios de formação católica. Seu povo tem a religiosidade entranhada no seu cerne. Além do mais a grande maioria da população é católica. 

Agradeço a todos apoiaram a causa, manifestando sua repulsa à arbitrariedade, injustiça e falta de tato com o aspecto tradicional/cultural do povo campanhense cometida naquela instituição de ensino municipal.

Viva Cristo Rei!

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1ª postagem:

" Depois a gente fala que o partidão é coisa do Satã, a turminha do ‪#‎13confirma‬ fica de mimimi.

Não é que o executivo municipal colocou um iconoclasta na direção da Escola Dom Othon?

Espero que ele seja tão eficaz na educação das crianças, como está sendo em retirar sem o menor respeito a imagem de Nossa Senhora, os crucifixos e o quadro do Dom Othon da escola. Espero que com sua eficácia, possa levar as crianças a aprenderem de verdade e não sejam empurradas para as próximas escolas totalmente semi-analfabetas, como vem ocorrendo. Sei o que estou falando, pois participei de algumas reuniões municipais de educação em 2014 e esta foi a queixa de diversos professores do ensino fundamental.
Parabéns à minoria por conseguir mais uma vez tolher a crença da maioria. Este é o PT.

O executivo municipal deveria ter o mínimo de hombridade e trocar então o nome da escola para Che Guevara, Lula, ou Paulo Freire. Afinal estes nomes devem ser de pessoas muito mais íntegras que o nosso querido D. Othon Motta. Aproveitem e troquem também o nome do ribeirão. O estado é laico e Santo Antônio agride sua crença fanática. Será um favor para nós católicos. É para lá que vão todos os detritos do município (bosta, mijo, catarro, porra, menstruação e sabe-se lá o que mais). Nosso padroeiro não merece tanta podridão. Assim como D. Othon não merece ter seu nome vinculado ao meio político."

Clique aqui para ler na rede social com todas os comentários.

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2ª postagem:

"Registrando: ontem pela manhã recebi um telefonema do diretor da Escola Municipal Dom Othon Motta. Queria que o recebesse para esclarecimentos sobre minha postagem sobre a retirada das imagens daquela escola. Combinamos o encontro na parte da tarde. Ficou de me ligar marcando o horário após as 14h. Aguardei a tarde toda. Por volta das 19h liguei para o celular dele. Estava ocupado. Em seguida retornou. Uma voz feminina, após identificar-me, disse que ele não estava no momento. Depois disso não retornou a ligação, sábado 10h25.

Soube que ontem, compareceram na Dom Othon, a Secretaria de Educação acompanhada de uma ex-Secretária de Educação e da Primeira Dama. Soube que o quadro daquele que dá nome à escola municipal e imagens foram devidamente recolocadas em seu lugar. Soube também que a justificativa apresentada pelo diretor foi a de que tinha retirado as imagens porque a escola irá receber uma nova pintura.

Se o motivo era simplesmente a manutenção da pintura, por que não o disse desde o início? Por que quando indagado, mencionou uma suposta lei que impedia a presença de imagens em órgãos públicos, o laicismo de estado? Por que retirou as imagens particulares de um servidor e colocou dentro de uma caixa?

Fico feliz de saber que foi bem ponderada a resolução de voltar com as imagens para as paredes da instituição municipal. Decisão essa, sem dúvida, tomada após a repercussão do caso aqui pela internet. Após constatar a indignação de grande número de campanhenses e diga-se ainda muitos deles nem católicos são.

Cito como exemplo nossa Câmara Municipal que teve vereadores protestantes, inclusive um foi Presidente, ateus, agnósticos e simpatizantes de outras religiões. Jamais implicaram com as diversas imagens de santos e crucifixos naquela Casa Legislativa. Também é bom lembrar que outras escolas estaduais e particulares de nosso município tem em suas dependências imagens católicas.

A Juíza Federal Maria Lúcia Lencastre Ursaia em um parecer em que é contra a retirada de símbolos religiosos em órgão públicos nos ensina:
(...) "Em um país que teve formação histórico-cultural cristã é natural a presença de símbolos religiosos em espaços públicos, sem qualquer ofensa à liberdade de crença, garantia constitucional, eis que para os agnósticos ou que professam crença diferenciada, aquele símbolo nada representa assemelhando-se a um quadro ou escultura, adereços decorativos.

(...) 
Por fim, inobstante o Preâmbulo da Constituição Federal não ter força normativa (como já decidiu o E. STF - Pleno - ADIN nº 2076/AC - Rel. Min. Carlos Velloso - 15/08/2002 - Informativo STF nº 277) o Prêambulo de nossa Constituição Federal é definido como documento de intenções da Lei Maior, representando a proclamação de princípios que demonstra suas justificativas, objetivos e finalidades , servindo de fonte interpretativa para dissipar as obscuridades das questões práticas e de rumo para o governo e a sociedade.
As Constituições brasileiras, com exceção da Constituição Republicana de 1891 e a de 1937, invocaram em seus preâmbulos, expressamente, a proteção de Deus. A nossa Constituição Federal tem seu preâmbulo assim expresso:"Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL"."

Encerro com as primeiras palavras que deparei hoje pela manhã ao abrir o feicebúqui, no perfil de um amigo lá do RN:
" (...) a Igreja cantará daqui a dois sábados, na Vigília Pascal:
Ut inimicos sanctae Ecclesae humiliare digneris - Te rogamus, audi nos."


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3ª postagem:



"Foto de alguns anos atrás da Escola Municipal Dom Othon Motta, com crucifixo afixado. 

Gostaria de saber: os crucifixos desta escola foram comprados ou foram doados? Se foram doados e não mais voltarem para as paredes das salas de aula, qual será seu destino?

Se foram comprados, fazem parte do patrimônio da escola, portanto não podem ser simplesmente descartados como inservíveis. Se foram comprados e a "laicidade" do estado (com "e" minúsculo mesmo porque não é Deus) que não é nenhuma novidade, pois é mencionada já na Constituição de 1891 e nas demais até a atual, não interferiu nesta aquisição, por que a ojeriza surge agora? A aquisição com dinheiro público (supondo que tenham sidos comprados) representa o respeito dos nossos governantes pelo sagrado e sensibilidade para o cristianismo enraizado no povo campanhense. 

Enfim, por que só agora, sob um governo socialista (nas três esferas) surge esta agressão à grande maioria dos cidadãos campanhenses? 

Depois eu aviso que católico não pode apoiar partidos de esquerda, a turminha do #13confirma fica toda cheia de mimimi."

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Ainda teve uma quarta postagem sobre uma homenagem no dia do aniversário da escola ao Centenário de nascimento do nosso querido Bispo. Interessante que esta homenagem foi idealizada depois de uma tentativa de retirada das imagens por parte de uma diretora não-católica.


quinta-feira, 19 de março de 2015

Fernão Capelo campanhense



Bela fotografia do arquivo pessoal de João Paulo Fernandes. O que impressiona é a plasticidade do voo do goleiro João Paulo e a destreza do fotógrafo em flagrar o momento. Lembrando que é uma foto amadora.
Segundo o JP, a foto foi de um jogo amistoso no Pico do Gavião, em São Tomé das Letras. Nesta época, nosso amigo botafoguense defendia as cores da EsSA. Agarrou a bola numa altura de 1,86m.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Padre Leonel Franca.

Campanha orgulha-se da metáfora "Atenas Sul mineira". Envaide-se de sua cultura passada. Causa-me espanto o fato de aqui não ter nenhuma rua com denominação homenageando um grande intelectual que iniciou seus profícuos estudos no Noviciado São Estanislau, dos jesuítas, em nossa cidade em 1908.

Padre Franca tem inúmeros livros publicados na área de Teologia e Filosofia. Foi o primeiro reitor da PUC-RJ. Referência de estudo a muitos seminaristas e estudantes católicos.

Curioso é que a cidade do Rio de Janeiro tem na Gávea, uma avenida com seu nome. Cidades como São Paulo, Campinas, Osasco, João Pessoa também deixaram sua homenagem, dando a logradouros, o seu nome.

Abaixo publico um trecho do livro do historiador Antônio Casadei, do livro Notícias Históricas da cidade da Campanha, página 241 em que menciona o clérigo intelectual e sua passagem por nossa cidade. Um mimo da amiga Angélica Andrés, que mui gentilmente escaneou e enviou-me por email.


sábado, 20 de dezembro de 2014

Notas sobre o estudo do latim.

Rafael Falcon*
Encontrei o latim enquanto procurava minha origem. A princípio mero símbolo de uma jornada ainda obscura, provou-se legítimo soberano, tendo sido por mim abandonado e redescoberto mais de uma vez; pode-se dizer que afinal entendi, num sentido mais profundo que o usual, por que todos os caminhos levam a Roma.

Ao contrário de muitos (talvez a maioria) dos latinistas, não me interessei propriamente pela língua do Lácio, instrumento precioso dos filólogos, chave da etimologia, manual dos eruditos. Queria mesmo era estudar filosofia. Enquanto a maioria dos meus semelhantes saltava, ávida, para o grego ático (tentação que sofri eu mesmo), tive a felicidade de perceber que, mais que da “língua original”, era preciso participar da “tradição cultural” que levava à filosofia. O templo de Apolo não se abria aos ímpios; antes os envolvia numa teia de ilusões, guiando-os para o mais denso da floresta, onde envelheciam delirantes, privados para sempre da luz do sol. A verdadeira Sibila só respondia a quem se dirigisse a ela na linguagem correta: a língua perpétua da humildade, da submissão aos ancestrais, da “pietas” impiedosa representada pelo Rei Anquises, no mundo dos mortos, instruindo seu filho Eneias sobre a vontade dos deuses. Não o brilho, o chamariz, o Olimpo; sim as sombras, o reino desprezado ou temido, o inferno. Foi este o caminho de Virgílio; foi este o de Dante. É o verdadeiro sentido dos versos de Pope:

“A little learning is a dang’rous thing;
Drink deep, or taste not the Pierian spring”

“Drink deep”, e não “much”. Não se trata, aqui, de erudição, isto é, do acúmulo de estudos sobre um autor ou uma época, que poderíamos chamar de estudo “horizontal”. Ao contrário, é preciso descobrir a significância de cada elemento, o peso que adquiriram na história e na formação das maiores almas de todos os tempos e, consequentemente, da nossa civilização como um todo. Ironicamente, a língua latina, que normalmente atrai inteligências minuciosas, “fault-finders” e normativistas ranzinzas, impressionou-me justamente pela elevação, pelo desprendimento, pela transcendência dos seus autores e da tradição que eles compunham.

Em outras palavras, não eram os particípios, gerundivos e declinações que interessavam — embora fossem, evidentemente, parte do caminho. O foco (digo-o no sentido etimológico, que remete ao fogo sagrado do deus Lar) era, para mim, o latim como disciplina intelectual e, em certo sentido, espiritual. O latim como “lingua pontifex”, construtora de pontes, ligando Dante e Camões a Homero por intermédio de Virgílio (esse Príncipe e Sumo Pontífice dos poetas), o organismo vivo que, ao longo de dois mil anos, adaptou-se harmoniosamente à cosmologia neoplatônica, à religião cristã, à literatura e filosofia da Grécia. O latim, não como língua, mas como alma; como ancião do Ocidente, profeta longevo, “magister gentium”. Aos poucos ele se tornou, para mim, a mesma coisa que a filosofia. Mais tarde eu descobriria que assim o concebiam os mestres medievais, que chamavam o estudo da língua e literatura latina (“grammatica”) de “pars prima philosophiae”, e John de Salisbury, que lembrava a seus contemporâneos (como poderia lembrar aos nossos): “em vão se avança rumo às demais disciplinas, sem a posse desta”.

Os métodos tradicionais de latim costumavam apresentar a língua como uma espécie de “introdução à lógica matemática”. Não estavam inteiramente enganados, claro; não obstante, bravos guerreiros tombaram perante os rigorosos “magistri” ginasiais, entre gemidos de “rosa, rosam, rosae…”. Contra tais sofrimentos, levantaram-se muitos, dentre os quais destaca-se a corrente de Hans Ørberg, que rememora a natureza social da linguagem e pede que o latim seja ensinado mais ou menos como as línguas modernas.

Eu me formei, inicialmente, com a Gramática Latina de Napoleão Mendes de Almeida e com os “Gradus” de Paulo Rónai, ambos representantes do ensino tradicional; na universidade, estudei com um método intermediário, o “Reading Latin”, que procurava ensinar a teoria gramatical de passagem, enquanto enfatizava a quantidade de leitura. Quando conheci Ørberg, já dava aulas particulares há alguns anos, mas me interessei e li alguns de seus materiais complementares (minha paciência para os livros introdutórios já não era grande), cuja qualidade nunca me decepcionou.

Sou um sujeito simples: não tendo motivo contrário, gosto de tudo e todos. Achei difícil escolher entre as tantas virtudes dos vários métodos e, no esforço de aprender a língua com máxima eficácia, acabei compondo uma metodologia própria que de original tem nada ou muito pouco. É possível descrevê-la como um “Reading Latin” sem textos adaptados, em que a teoria gramatical foi substituída pelo método analítico de Napoleão Mendes, com o acréscimo da “enarratio poetarum” conforme a aprendi nos pedagogos antigos e medievais. Dentre os autores famosos, Ørberg foi quem menos influenciou minhas concepções, talvez porque eu já pensasse de modo semelhante a ele em vários aspectos, mas os pontos nos quais divergimos dizem respeito, simplesmente, a diferenças em nossos objetivos.

A língua latina é muitas coisas; entre elas, é uma língua. Já foi falada um dia, e pode ser falada de novo. Evidentemente, não se aprende latim para fazer compras ou turismo, nem para conversar sobre um programa de televisão; tais coisas cada um pode fazer em sua respectiva língua moderna. Há um ou outro americano maluco que, segundo li, organiza “acampamentos latinos” indignos de homens adultos, mas isso não está necessariamente ligado à ideia de ensinar “latim vivo”.

O latim já foi a língua da alta cultura e das universidades, e poderia voltar a ser (refiro-me agora ao bonito projeto de Luigi Miraglia); contudo, não é o caso no presente momento, nem creio que será pelas próximas décadas. No novo papel social que os acadêmicos passaram a desempenhar, o idioma dos antigos escolásticos não lhes interessa mais. Além do mais, a integração de universidade, Igreja e cultura clássica não parece poder ser restituída imediatamente. Tenho mesmo a impressão de que sua existência na Baixa Idade Média não foi causa do esplendor intelectual da época, mas um de seus efeitos: se quisermos de fato restaurar a possibilidade de uma língua única para a alta cultura ocidental, creio que, antes de tentar a “renovação” do latim em moldes humanistas, o correto seria empreender sua “restauração” à maneira carolíngia. Noutras palavras, o que interessa no latim são, primeiramente, os “auctores” clássicos; o resto pode esperar, e talvez espere muito.

Aprender latim como uma língua comum pode ser o objetivo de alguns; outros preferem, como já mencionei, fazer dele uma espécie de treinamento lógico. Do modo como o vejo, contudo, trata-se da “primeira parte da filosofia” e, de certo modo, “imagem da filosofia”: uma disciplina cujo objetivo é passar de aparências a essências, por intermédio da resolução dialética de interpretações contraditórias. Uma arte que começa na recitação e na análise sintática, transita pela apreciação de figuras de pensamento e de palavras, chega à crítica literária e aponta para as mais altas inspirações do gênio humano.

Segundo a lição de Olavo de Carvalho, “a filosofia é a busca da sabedoria; a poesia é a sabedoria em busca dos homens”, e facilmente se redescobre o mesmo sentido na fórmula de S. João: “amamos nós, porque Ele nos amou primeiro”. Se a sabedoria é o Verbo, segunda Pessoa da Santíssima Trindade, hoje encarnado e ressurreto sob o nome de Jesus Cristo, a poesia é Cristo que bate à porta e entra em nossas casas; a filosofia somos nós que abandonamos nossas casas, de portas escancaradas, para reencontrar Cristo. Este reencontro, expresso por diferentes autores como a modalidade suprema de consciência, é todo o objetivo da filosofia, e uma sombra dele resplandece em cada uma de suas partes menores. O estudo das letras não é exceção: seu objetivo deve ser, portanto, o estabelecimento de certa ordem na inteligência; a qual, não obstante ser ordem, impele para uma superação de si mesma, rumo àquela sabedoria que não pode ser abarcada por disciplina alguma. Todo e qualquer conhecimento só me interessa se contribui para esse fim, e testemunho que a língua latina, conforme a estudei e ensinei, sempre se mostrou tão eficaz quanto prometiam os mestres antigos e medievais.

*Rafael Falcon é bacharel em Letras/Latim, mestrando em Letras Clássicas e com formação acadêmica em Semiótica e Linguística Geral, tudo pela Universidade de São Paulo. Professor por vocação: lecionou inglês, português (gramática, literatura e redação), latim e foi coordenador pedagógico.

Escreveu no Ad Hominem (hoje inativo, infelizmente), o blog mais polêmico do Brasil, e professor do excelente Instituto Cultural Lux et Sapientia, em São Paulo.

Fonte: Blog Rafael Falcon

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Chico Xavier e suas profundas frases.

Desculpa a sinceridade, mas quando leio alguma frase do Chico Xavier no feicebúqui, fico tentando entender porque as pessoas curtem. Ou querem dar uma de intelectual (hoje é moda relacionar intelectualidade com espiritismo - este que só "pegou" no Brasil. Na terra de Kardec, Europa e EUA não "colou" - enquanto o catolicismo, pai da civilização ocidental é relacionado a velhinhas e idiotas lacaios do clero dominador e opressor) mesmo sem ter a menor ideia do que o farsante quis dizer com aquilo, ou simplesmente acham lindo o emaranhado de palavras que soam como poesia.

Exemplo: "Ambiente limpo não é o que mais se limpa e sim o que menos se suja."

O que significa isso? Que porra é essa? Relativismo descarado. Parece "dilmês" no melhor estilo. Ambiente limpo é um local desprovido de sujeira, não importa se nunca foi sujado ou se foi sujado ao extremo. O que importa é uma limpeza eficiente.

Esta outra frase dele resume sua "filosofia": "A verdade que fere é pior do que a mentira que consola". Ao contrário dos católicos que preferem a dor da verdade, mas serve como impulso para se emendarem, o Xavier e seus seguidores preferem a mentira agradável (quem é o pai da mentira?). 


Linda imagem do Chico trocando idéias com uma fofa aparição de um espírito intangível.


Giovani Rodrigues

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Democracia - será ela um bem?

Democracia é o oposto a liberdade e tolerância

Frank Karsten  &  Karel Beckman *

Um dos mitos mais persistentes sobre a democracia é que ela é o mesmo que 'liberdade'. Para muitas pessoas, 'liberdade e democracia' caminham juntas, como as estrelas e a lua. Mas, na verdade, a liberdade e a democracia são opostas. Em uma democracia, todos devem se submeter às decisões do governo. O fato de que o governo é eleito pela maioria, é irrelevante. Coerção é coerção, quer seja ela exercida pela maioria ou por um único governante.
Em nossa democracia, ninguém pode escapar das decisões tomadas pelo governo. Se você não obedecer, será multado e, se se recusar a pagar a multa, você acabará na cadeia. É simples assim. Tente não pagar uma multa de trânsito. Ou seus impostos. Neste sentido, não há diferença fundamental entre uma democracia e uma ditadura. Para alguém como Aristóteles, que viveu em uma época em que a democracia ainda não tinha sido santificada, isso era óbvio. Ele escreveu: "A democracia ilimitada, assim como a oligarquia, é uma tirania espalhada por um grande número de pessoas."

Liberdade significa que você não tem que fazer o que a maioria dos outros homens quer que você faça, mas que você pode decidir por si mesmo. Como o economista John T. Wenders disse uma vez: "Há uma diferença entre democracia e liberdade. A liberdade não pode ser medida pela possibilidade de se poder votar. Ela pode ser medida pelo âmbito daquilo sobre o qual não se vota".

Esse âmbito é muito limitado em uma democracia. A nossa democracia não nos trouxe a liberdade, mas o seu contrário. O governo aprovou inúmeras leis que impossibilitaram muitas interações e relações sociais voluntárias. Inquilinos e proprietários não são livres para fazerem contratos da forma que acharem melhor, os empregadores e os trabalhadores não podem decidir livremente sobre os salários e as condições de trabalho que desejarem, médicos e pacientes não estão autorizados a decidirem livremente quais os tratamentos ou medicamentos que irão ser utilizados, as escolas não são livres para ensinar o que elas quiserem, os cidadãos não estão autorizados à 'discriminação', as empresas não estão autorizadas a contratar quem elas quiserem, as pessoas não são livres para assumir qualquer profissão que quiserem, em muitos países os partidos políticos têm de permitir candidatos do sexo feminino para cargos públicos, as instituições de ensino estão sujeitas a cotas raciais e a lista continua. Tudo isso tem pouco a ver com liberdade. Porque as pessoas não têm o direito de assinar qualquer tipo de contratos ou acordos que elas quiserem? Porque é que os outros têm que se meter em acordos sobre os quais eles não são parte interessada?

Leis que interferem na liberdade do povo de celebrar acordos voluntários, podem beneficiar determinados grupos, mas elas, invariavelmente, prejudicam outros grupos. Leis de salário mínimo beneficiam certos trabalhadores, mas prejudicam as pessoas que são menos produtivas do que o salário mínimo exige. Essas pessoas se tornam muito caras para serem contratadas e, assim, ficam desempregadas.

Da mesma forma, as leis que protegem as pessoas de serem demitidas podem beneficiar algumas pessoas mas desencorajam os empregadores de contratarem novas pessoas. Quanto mais rígidas são as leis trabalhistas, mais os empregadores têm razões de temerem ficar presos às pessoas de quem não podem se livrar quando o negócio deles requerer que o façam. O resultado é que eles contratam o mínimo de pessoas possível, mesmo quando os negócios vão bem. Novamente, isso tende a prejudicar, em particular, as pessoas com baixas qualificações. Ao mesmo tempo, o alto desemprego resultante faz com que as pessoas que têm um trabalho tenham medo de mudar de carreira.

Da mesma forma, leis de controle de aluguel beneficiam os inquilinos existentes, mas desencorajam os proprietários de alugarem habitações vagas e investidores de desenvolverem novos empreendimentos imobiliários. Assim, estas leis levam à escassez de habitação e elevam o valor dos aluguéis, prejudicando as pessoas que estão procurando um lugar para viver.

Ou considere as leis que ditam padrões mínimos para os produtos e serviços. Será que elas não beneficiam a todos? Bem, não. A desvantagem dessas leis é que elas limitam a oferta, reduzem a escolha do consumidor e aumentam os preços (mais uma vez, elas prejudicam, principalmente, os pobres). Por exemplo, leis que exigem normas de segurança para automóveis elevam os seus preços e os tornam inacessíveis para os grupos de renda mais baixa, que são privados de decidirem, por si mesmos, quais os riscos que eles querem assumir nas estradas.

Para ver porque tais regulamentos de 'proteção' têm sérios inconvenientes, imagine que o governo proíba a venda de qualquer carro abaixo da qualidade de um Mercedes Benz. Será que isso não iria garantir que vamos todos estar dirigindo os melhores automóveis e os mais seguros? Mas, claro, somente aqueles que podem pagar um Mercedes Benz ainda estariam dirigindo. Ou pergunte a si mesmo: porque o governo não triplica o salário mínimo? Nós todos estaríamos ganhando muito mais dinheiro, não é mesmo? Bem, aqueles que ainda tivessem emprego, sim. Os outros, não. O governo não pode fazer mágica com suas leis, mesmo que muitas pessoas pensem assim.

Em uma democracia, você tem que fazer o que o governo diz, já que, basicamente, tudo que você faz precisa de permissão do estado. Na prática, aos indivíduos ainda são permitidas muitas liberdades, mas a ênfase é sobre o permitir. Todas as liberdades que temos em uma nação democrática são concedidas pelo estado e podem ser tiradas a qualquer momento.

Embora ninguém peça permissão ao governo antes de tomar uma cerveja, esse consentimento é, no entanto, implicitamente necessário. Nosso governo, democraticamente eleito, pode nos proibir de beber cerveja, se quiser. Na verdade, isto aconteceu nos Estados Unidos durante a Proibição. Hoje em dia você tem que ter 21 anos para que seja autorizado a beber.

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Frank Karsten é fundador do Mises Instituut Nederland. Ele aparece regularmente em público para falar sobre a crescente interferência do estado na vida dos cidadãos. www.mises.nl.
Karel Beckman é escritor e jornalista. Ele é o editor chefe do website European Energy Review. Antes de assumir este cargo, ele trabalhou como jornalista no jornal financeiro holandês Financieele Dagblad. O seu website pessoal éwww.charlieville.nl.

Leia aqui, o texto na íntegra: Instituto Ludwig Von Mises Brasil